Durante a passada semana ficámos a saber que o Conselho de Arbitragem decidiu deixar de publicar as avaliações qualitativas dos árbitros e videoárbitros e não retomar os programas televisivos (já pausados antes do fim da época passada) e que vinham funcionando como espaços de explicação e pedagogia.
Não considero particularmente grave o fim da divulgação de classificações como “insatisfatório”, “satisfatório” ou “muito satisfatório”. Apresentadas quase sempre sem contexto, pouco acrescentavam à compreensão real de uma arbitragem.
Bem mais preocupante é o desaparecimento gradual do contexto que vinha sendo construído em torno das decisões: na Sport TV, com a divulgação e explicação dos áudios do VAR, e no Canal 11, com a análise de lances relevantes ou com interesse pedagógico. Recorde-se, aliás, que esta abertura constava do programa eleitoral do atual presidente da FPF.
Proteger os árbitros de uma exposição excessiva é legítimo. Mas proteger não pode significar fechar. A ausência de uma voz oficial cria silêncio que será seguramente ocupado por clubes, comentadores e redes sociais, com mais ou menos conhecimento e com melhores ou piores intenções.
A transparência bem construída não fragiliza a autoridade da arbitragem. Pelo contrário, pode reforçá-la. Explicar não é justificar tudo. É assumir a responsabilidade de ajudar a perceber critérios, decisões e até erros. Se quem tem autoridade deixa de explicar, outros tratarão de explicar por ela.