Hoje escrevo sobre um tema que transcende a arbitragem portuguesa e que vem a propósito da recém-disputada Supertaça Europeia, mais concretamente da nomeação do somali Omar Artan para dirigir o jogo.
Artan tornou-se o primeiro árbitro não europeu a apitar esta competição, numa escolha que a UEFA enquadrou na cooperação com a CAF. Mas é impossível ignorar o simbolismo da decisão. O árbitro somali tinha sido selecionado para o Mundial e acabou impedido de entrar nos Estados Unidos por razões exteriores ao futebol.
Ao entregar-lhe um dos seus jogos de maior exposição internacional, a UEFA não fez apenas uma opção técnica ou um gesto de inclusão. Deu, na minha leitura, uma verdadeira chapada de luva branca à FIFA. E fê-lo num momento sensível, em que a instituição que gere o futebol mundial atravessa um período conturbado, com Gianni Infantino cada vez mais contestado e a perder apoios importantes.
Há ainda uma mensagem especialmente relevante para a arbitragem: um árbitro deve chegar aos grandes jogos pela competência e qualidade, independentemente do passaporte que transporta.
E esse mesmo princípio deve continuar a orientar as nomeações em Portugal: a qualidade acima de tudo. Nestas duas jornadas já vimos jovens árbitros com competência, potencial e preparação para jogos de maior exposição e exigência. A evolução faz-se dando oportunidades, colocando-os perante contextos difíceis e permitindo-lhes ganhar experiência ao mais alto nível. Temos presente e futuro na arbitragem portuguesa. Não deixem que vos digam o contrário.