Autor

Jorge Faustino

Data: 15/09/2026

Ataques preemptivos

Já escrevi muitas vezes neste espaço sobre os “ataques preemptivos”, ou, se quisermos, “preventivos”, que tantas vezes são feitos pelos clubes à arbitragem. Fazem-no, naturalmente, não no sentido literal da expressão, mas por acreditarem que sendo mais rápidos nas queixas do que os seus adversários, poderão de alguma forma beneficiar dessa pressãozinha junto dos árbitros.

Os clubes encontrarão sempre motivos para se queixarem de erros que os prejudicaram ou que beneficiaram uma equipa terceira. E, se tais erros não acontecerem, basta pegar num lance mais duvidoso (esses são mesmo os melhores que as comunicações dos clubes podem apanhar) e construir uma narrativa que vá ao encontro das suas queixas e interesses. Em Portugal sempre foi assim e, perdoem-me a pouca esperança no futuro da nossa educação desportiva, provavelmente sempre será.

Com o primeiro clássico da época a jogar-se já no próximo fim de semana, com mais ou menos erros de arbitragem, não podíamos esperar diferente do que temos assistido.

Mas é precisamente neste contexto que devemos também sublinhar os bons exemplos em sentido contrário. Rui Borges, depois do empate do Sporting em Famalicão, num jogo onde até existiram lances discutíveis, foi insistentemente questionado sobre a arbitragem da partida e sobre se esta teria tido responsabilidade na perda de pontos. Insistiu, também ele, na resposta: não ia comentar.

Fazem falta ao futebol mais homens que frequentem as tascas que ajudaram a formar o homem que hoje treina o Sporting.

Fonte: Record