Autor

Jorge Faustino

Data: 03/08/2022

Respeito – versão 2022/2023

“Respect” é o nome de um programa de responsabilidade social da UEFA que foi lançado em 2008 e que viveu os seus momentos mais mediáticos no Euro 2012 com uma campanha com o mesmo nome. Construir um futebol mais uno, capaz de respeitar diferentes raças, géneros, religiões e capacidades físicas e mentais era o principal objetivo deste projeto que viveu em campanhas televisivas, nas camisolas de árbitros, jogadores e outros suportes mediáticos. Este Respect foi alargado inclusivamente à forma como o IFAB olhou para as alterações às Leis de Jogo e nas indicações que UEFA, e consequentemente as Federações Nacionais, foram dando aos árbitros.

Amiúde começam a ser tornadas públicas as indicações que foram dadas aos árbitros na recente Ação de Reciclagem e Avaliação para a época 2022/2023 e que também foram partilhadas com jogadores e treinadores nas ações que o Conselho de Arbitragem foi fazendo junto dos clubes. A palavra e conceito de “Respeito” voltou, este ano, a servir de base à maior parte das medidas que têm por objetivo ajudar (talvez fosse mais correto escrever “forçar”) os principais intervenientes a ter mais respeito pelos adversários (comportamentos e integridade física), pelos árbitros, pelos adeptos e, no limite, pelo próprio jogo.

E que medidas / indicações são estas?

Faltas grosseiras – Apertar de critério relativamente a entradas que coloquem em risco a integridade física de um adversário. Concretizando: árbitros e VARs não devem ter contemplações com entradas grosseiras, punindo-as com expulsão.

Tempo útil de jogo – De forma a aumentar o tempo útil de jogo e reduzir as quebras no ritmo de jogo, é pedido aos árbitros que estejam mais atentos às assistências a jogadores no terreno de jogo, dando mais tempo para que estes recuperem fora do terreno de jogo antes de regressar após receberem assistência numa tentativa de dissuadir falsos pedidos de assistência.
Também para garantir uma correta compensação do tempo perdido durante a partida, é reforçada uma indicação de anos anteriores no sentido dos VARs ajudarem o árbitro no controlo dos tempos perdidos, participando na sugestão de tempo total a compensar no final de cada parte do jogo. Sim, vamos passar a ter muitos minutos de compensação.

Simulações – Mais do que simulações na área, já tão discutidas na comunicação social nesta pré-época e para os quais os árbitros estão sempre alerta, é chamada a atenção para a importância de punir outras simulações, tão recorrentes, e que prejudicam o ambiente de jogo e podem gerar conflitos. Um dos exemplos dados é o dos jogadores que não são tocados ou sofrem toque no peito e se atiram para o chão agarrados à cara.

Conflitos – Conflitos entre jogadores, conflitos entre bancos e conflitos no final dos jogos são comportamentos que demonstram falta de respeito pelos adversários, pelo público e pelo próprio futebol. Imagens deste tipo de situações são recorrentes no nosso futebol e prejudicam a sua imagem. Também aqui os árbitros, naquilo que pode ser a sua intervenção, irão ser mais exigentes e punitivos.

Comportamento nos bancos – Maior exigência relativamente ao comportamento dos elementos dos bancos é tema recorrente nos inícios de época. Os árbitros começarão a época com critério apertado relativamente a contestações e comportamentos incorretos vindos dos bancos (principal e suplementar). O desafio passa por, depois, conseguir manter critério ao longo da época.

Importante sublinhar que houve a preocupação partilhar as indicações dadas os árbitros com os clubes. Nada do que aqui escrevi deverá ser surpresa para jogadores e treinadores aquando do início da Liga. Ficamos na expectativa de que árbitros e restantes intervenientes respeitem estas indicações para conseguirmos termos um futebol português, na sua versão 2022/2023, com Respeito.

Fonte: Record