Autor

Jorge Faustino

Data: 19/03/2026

Forma vs Conteúdo

Uma das “polémicas” da jornada nasceu da forma intensa como José Bessa, árbitro do Arouca-Benfica, se relacionou com os jogadores.

Já não estamos habituados a ver árbitros empurrar jogadores ou agir com excessiva rudeza no momento de exibir um cartão amarelo. E, no futebol, a forma como se faz quase sempre condiciona a leitura do que se fez. Por vezes, chega a apagar o conteúdo e a justiça da decisão, desviando atenções do essencial.

Para evitar um conflito entre Dahl e um jogador do Arouca, que muito provavelmente acabaria com um amarelo por comportamento antidesportivo para o jogador do Benfica, o árbitro portuense afastou o sueco com um empurrão. A intenção pode ter sido boa, mas a forma  e a imagem transmitida, não foi a melhor, porque um gesto destes acaba por marcar mais do que a decisão em si.

Também a atitude demasiado ríspida com que mostrou os cartões, em particular o amarelo ao capitão do Benfica, passou uma imagem de agressividade desnecessária. Um árbitro pode e deve ser firme, seguro e respeitado, mas sem perder a serenidade. Mais uma vez, a forma distraiu do essencial: a decisão foi acertada, porque os capitães não podem correr para o árbitro daquela maneira nem pressioná-lo naquele tom

Se há algo a corrigir no conteúdo, é a incoerência disciplinar. Otamendi, Hjulmand e Alan Varela, por exemplo, não podem continuar a dirigir-se aos árbitros como tantas vezes acontece. A autoridade conquista-se com critério, coerência e calma. Alguma coisa tem de mudar.

Fonte: Record