Autor

Jorge Faustino

Data: 18/08/2021

O que o futebol espera

Antigamente falava-se de uma Lei 18, que não estava escrita no livro (são 17 as Leis de Jogo), mas que os árbitros tinham de ter sempre presente: a “lei do bom-senso”. Há alguns anos atrás essa “lei” passou a estar escrita de forma muito simples e discreta, diria até que demasiado discreta, quando o IFAB adicionou um texto intitulado “A filosofia e o espírito das Leis” onde refere que “o IFAB espera que o árbitro tome uma decisão dentro do ‘espírito’ do jogo, o que muitas vezes implica fazer-se a pergunta, “O que é que o futebol quereria/esperaria?””.

Serve esta introdução para abordar um dos lances mais marcantes desta jornada: a expulsão do guarda-redes do Arouca no jogo com o Benfica. Foi um lance em que o árbitro optou por não sancionar um fora de jogo assinalado pelo seu assistente ao ataque do Benfica em virtude da bola ter ficado nas mãos do guarda-redes. Em teoria fez bem porque seria mais vantajoso para o Arouca que o seu guarda-redes pudesse sair a jogar. O que aconteceu a seguir é que baralhou tudo: o guarda-redes pensou que o árbitro tinha apitado, libertou a bola e tudo terminou com este a ser expulso por anular uma ocasião clara de golo. O árbitro cometeu algum erro à luz das Leis de Jogo? Não. O árbitro, ao “permitir” que uma equipa fosse penalizada com uma expulsão no seguimento de um lance que era suposto ser de vantagem para essa equipa, fez o que o futebol quereria/esperaria? A resposta fica ao critério de todos os adeptos de futebol…

Fonte: Record