As Leis de Jogo do Futebol não se limitam ao livro das Leis de Jogo do Futebol. Este artigo é a explicar a frase anterior e vem a propósito do penálti assinalado contra o FC Porto no jogo com o Boavista.
O lance explica-se de forma fácil: a bola sobrou para Zé Pedro no interior da sua área e Neuhen Perez levantou o braço direito dando indicação ao seu colega que chutasse a bola para a frente. O forte pontapé de Zé Pedro levou a bola, de forma inesperada, a embater no braço de Pérez que o tinha claramente elevado e fora do plano do corpo (volumetria não natural).
Ora dizem as Leis, no livro das Leis de Jogo, que há infração se um jogador “tocar a bola com a mão/braço quando isso cria uma volumetria de forma não natural.” Olhando a esta letra da lei, a decisão de assinalar penálti seria correta.
No entanto, o livro das Leis de Jogo é apenas uma parte – a parte crucial e a base de quase tudo – do que são as leis do futebol. Os comunicados e esclarecimentos do Internacional Board (IFAB), os vídeos exemplificativos que o IFAB partilha, os regulamentos das competições, as circulares da UEFA e FIFA também constituem as Leis do Jogo.
Assim, e a propósito do lance que ocorreu no Boavista – Porto, cabe-me recordar que o IFAB veio em 2021 esclarecer sobre uma exceção à mãos por volumetria não natural: “Quando por exemplo um jogador tenha já o braço aberto numa situação onde não é expectável que a bola venha para si, ou para perto de si, vinda de um colega de equipa.” E fez acompanhar este esclarecimento por um vídeo de lance muito idêntico ao que ocorreu este fim de semana. Esse esclarecimento faz Lei e os árbitros deverão conhecê-lo. Estas situações não são infração.
Nota:
Abaixo o slide do IFAB sobre este tema e o vídeo que o acompanhava.
