Autor

Jorge Faustino

Data: 27/02/2018

O futebol é só um jogo

Mais uma jornada onde houve arbitragens excelentes, outras razoáveis e uma ou outra menos positiva. Uma jornada onde aconteceram erros dos árbitros, dos árbitros assistentes, dos quartos árbitros e dos videoárbitros.

Foi também mais uma jornada onde clubes, de forma directa através da sua comunicação oficial, ou de forma indirecta via comentadores e blogs mais ou menos oficiosos, acusaram árbitros de erros que foram cometidos e de outros erros que não existindo, dá jeito inventar.

Uma jornada semelhante às anteriores e às que vamos ver até final da liga. A haver alterações, será no aumento de ruído e tentativa de pressão dos clubes sobre os árbitros. Sim, os clubes não querem que os árbitros não errem. Só querem é que não errem contra si…

Quanto aos jogos dos três primeiros nesta 24ª jornada as diferenças foram muitas.

Fábio Veríssimo, no Paços de Ferreira – Benfica, terá tido o jogo mais difícil dos três. Foram 6 situações de possível penálti. Em 5 decidiu bem, optando por deixar o jogo prosseguir. Falhou aos 59’ quando Gien, de forma involuntária (o que conta é o resultado da sua acção e não a intenção), tocou o pé de Rafa provocando a sua queda no interior da área. Ficou um pontapé de penálti por sancionar.

Disciplinarmente também foi uma partida exigente. Muitas faltas na fronteira entre o imprudente (sem cartão) e o negligente (cartão amarelo). Expulsou bem Gian por conduta violenta sobre Jonas (pisão com jogo interrompido) mas pecou por omissão em alguns casos. Rúben Dias terminar o jogo sem qualquer cartão foi o pecado maior.

No jogo do líder da liga, esteve um dos mais experientes do nosso quadro de árbitros: Jorge Sousa. Foi um jogo aparentemente fácil e sem casos. Isto porque os jogadores não complicaram, porque o resultado assim ajudou mas também, e principalmente, porque o Jorge acertou em quase todas as decisões não complicando aquilo que se apresentava fácil.

Na segunda-feira jogou-se em Alvalade o Sporting – Moreirense. Jogo intenso e equilibrado que acabou por ser decidido já nos descontos. Tiago Martins esteve bem tecnicamente. Todos os lances no interior das áreas foram bem decididos. Tentou aplicar a lei da vantagem para dar velocidade ao jogo, o que conseguiu. Disciplinarmente esteve mais desequilibrado e com um critério pouco uniforme, esquecendo-se de exibir alguns amarelos que se impunham. O erro marcante do jogo acabou, no entanto, por acontecer no sentido inverso, isto é, exibiu incorrectamente o um cartão amarelo a Petrovic. Foi o segundo amarelo do jogo para o central do Sporting que foi assim injustamente expulso.

Ainda neste jogo aconteceu um dos “casos” da jornada. Não um caso de arbitragem, mas um caso do futebol e das relações humanas. Gelson Martins decidiu homenagear e apoiar um amigo. Por isso, não jogará um dos jogos mais importantes desta época para o Sporting.

Duas perspetivas:

O profissional. Não é admissível que um profissional de futebol cometa um erro destes. Se Tiago Martins tivesse expulso erradamente um jogador com a importância de Gelson… vocês imaginam o que se ia dizer.

O homem e o amigo. Pensemos no nosso melhor amigo ou irmão. Pensemos que ele está a viver o momento mais difícil da vida dele (independentemente da causa)… Há algo mais importante que uma amizade? O futebol é importante. Muito importante. Mas é “só” um jogo.

Fonte: Público