Esta jornada, no seguimento do segundo golo do Benfica frente ao Moreirense, obtido no seguimento de um canto que foi erradamente assinalado, ressurgiu uma questão que sobre a abrangência do protocolo VAR relativamente à possibilidade de intervenção em recomeços de jogo.
Na criação do próprio protocolo, que para além de técnicos de arbitragem, envolveu treinadores e ex-jogadores, esta foi uma questão amplamente discutida tendo-se chegado à conclusão/decisão de impedir o VAR de atuar em tais situações por duas questões principais:
1. Pretende-se que o jogo seja fluido com o menor número de interrupções e/ou atrasos nos recomeços. Ora se o VAR precisasse verificar todas as situações em que a bola sai do terreno de jogo, iríamos estar a prejudicar fortemente o tempo útil de jogo.
2. Colocou-se a ideia de verificar apenas os recomeços de jogo dos quais, por exemplo, resultasse um golo. Esta ideia não pode ser posta em prática porque, à partida, a Leis de Jogo não permitem uma alteração a uma decisão técnica depois do jogo ter reiniciado e, ainda, porque mesmo que se quisesse ultrapassar este ponto, haveria uma outra grande discussão sobre “o que é um golo a seguir a um canto mal assinalado?”. Seria o primeiro toque/cabeceamento após a execução do canto? Poderíamos incluir recarga? E se a bola saísse da área e houvesse novo cruzamento e golo… também seria revisto o canto?
As Leis de Jogo e o protocolo VAR procuram trazer verdade ao jogo e à maior parte das situações que nele acontecem. Mas, infelizmente, nunca irão conseguir salvaguardar todos os cenários possíveis.