Apesar do muito ruído que ainda se faz sobre alguns lances de arbitragem do clássico, é curioso perceber que o nome do árbitro está praticamente a passar ao lado da maior parte das discussões.
Talvez uma das razões seja que clubes e maior parte dos adeptos conseguem reconhecer que o resultado foi justo e de que Nuno Almeida fez uma arbitragem globalmente competente num jogo muito exigente.
Então porquê tanta discussão? Arrisco dizer que isso se deve ao facto dos nossos clubes (mais concretamente quem os dirige ou é responsável pelas respetivas comunicações) ainda acreditar que o ditado popular ‘quem não chora não mama’ ainda funciona para pressionar futuras arbitragens e/ou decisões dos Conselhos de Disciplina e de Justiça. Triste…
Sobre o trabalho do Nuno Almeida, estou ciente de que não foi isento de erros (o mais evidente terá porventura sido a falta erradamente sancionada aos 90’+2) e de que existiram situações suscetíveis de discussão (calcanhar Pepe em Morita e ação de Matheus Reis sobre apanha-bolas), mas devo dizer que gostei muito de assistir à arbitragem. Confiante nas suas capacidades e decisões. Sem medo de assumir o controlo de um jogo onde ninguém estava lá para facilitar. O Nuno nunca chegou a internacional. É da geração de um Pedro Proença, Olegário Benquerença ou Jorge Sousa. Teve azar. Agora, é a arbitragem portuguesa que tem sorte de ele ainda estar no ativo.