Autor

Jorge Faustino

Data: 20/09/2023

Insegurança na decisão

A arbitragem tem estado sob grande pressão e escrutínio neste início de época. Já aqui escrevi que tal se deve mais a fatores externos à arbitragem do que a própria responsabilidade dos homens do apito.

Independentemente do maior ou menor ruído em torno do seu trabalho, os árbitros estão sempre focados e obrigados a um processo de melhoria contínua. Treinos, físicos e técnicos, bem como reuniões de análise e avaliação das arbitragens realizadas fazem parte deste processo.

Esta obrigação de procurar a constante melhoria tem de implicar a uma reflexão sobre os vários erros que os árbitros vão cometendo em campo e que o VAR tem vindo a “salvar”.

A boa decisão final é sempre o mais importante, mas tenho sentido que os árbitros de campo estão cada vez mais inseguros na tomada de decisão inicial. Gostava que esta fosse uma perceção apenas pessoal, mas constato que é uma perceção partilhada por muitos intervenientes do jogo (e não falo daqueles cuja opinião é toldada por clubites).

Essa insegurança, que muitas vezes também se faz sentir nas decisões mais pequenas (faltas e amarelos), traz consequências importantes na capacidade em gerir ambientes e intervenientes do jogo. Parte essencial de se ser árbitro é tomar e assumir decisões. Deve a estrutura da arbitragem, em conjunto com os árbitros, avaliar se esta situação é contextual ou se é estrutural (mais grave) e se deve a um processo de formação de árbitros que os está a trazer até à primeira categoria sem preparação e personalidade para assumirem decisões.

Fonte: Record