Autor

Jorge Faustino

Data: 01/10/2024

Foco nas boas decisões

O videoárbitro foi, sem margem para dúvida, uma das mais importantes e benéficas alterações que o futebol já conheceu. Tem, naturalmente, um caminho para percorrer e não será, nunca, um processo finalizado.

Parece-me, no entanto, que há uma medida que urge tomar e que nem está relacionada com o protocolo ou com a sua implementação em campo, mas sim com a avaliação, entenda-se nota, dos árbitros em situações em que uma decisão é alterada após intervenção. O árbitro que acerta sempre e que não precisa da “rede” do VAR tem de ser sempre valorizado (melhor nota) versus aquele que erra mais vezes e que por isso, tem de ser salvo pelas imagens televisivas fornecidas pelo seu colega. Mas, e este “mas” é muito importante, os árbitros não podem sentir-se tentados a não seguir uma boa opinião do VAR na esperança de que ao manterem a sua má decisão num lance duvidoso lhes venha a ser dada razão pela secção de classificações e com isso a sua nota não seja penalizada. Da mesma forma como não podemos ver um árbitro com “azia” quando tem de mudar uma decisão após intervenção VAR.

Andamos a ver demasiados árbitros cuja expressão corporal transparece o seu desagrado com a necessidade de mudar uma decisão (com natural consequência penalizadora na sua nota) e noutros casos ficamos desconfiados de que a decisão não é mudada na tal esperança de lhe vir a ser dada razão. Isto não pode acontecer. O futebol precisa de árbitros focados na justiça das decisões finais. Algo tem de mudar nas classificações e avaliações dos árbitros para que isto aconteça.

Fonte: Record