Autor

Jorge Faustino

Data: 09/03/2022

Contribuir com “menos apito”

Foram publicadas as conclusões de um estudo, a nível das 36 ligas europeias, onde se analisou a relação entre oportunidades de golo e tempo útil de jogo, de forma a determinar o nível de “abertura” das partidas (ou “game openness”). Portugal ficou no 25º lugar, o que confirma a pertinência das discussões a que temos assistido sobre tempo útil de jogo na nossa Liga.
Os treinadores queixam-se, mas a maior parte pouco faz para alterar isto. Os adeptos queixam-se, mas se essas perdas de tempo permitirem que o seu clube ganhe jogos, poucos reclamam dos tempos perdidos. Todos apontam dedos. Quase ninguém faz nada.

Os árbitros não se queixam, porque não falam publicamente sobre isso, mas também não gostam de fazer parte de um jogo que esteja sempre interrompido. Sabem que, no meio de um futebol português em que a responsabilidade é sempre dos outros, têm de ser peça atuante na resolução deste problema.

Temos visto alguns a arriscar com critério técnico mais largo de forma a interromper menos vezes a partida. O CA da FPF chegou a dar indicações nesse sentido. Às vezes os jogadores percebem, respeitam e temos um melhor futebol… outras apenas se aproveitam para “esticar a corda ao limite” estragando os jogos com faltas muito duras. Estará o futebol português preparado para que os árbitros contribuam, com menos apito, para aumentar o tempo útil de jogo?

Fonte: Record