“As decisões do árbitro de campo em situações de intervenção do videoárbitro vão poder ser comunicadas pelo próprio ao público e em direto no estádio, através da instalação sonora, e em casa, por meio da transmissão televisiva.”
Foi desta forma e com este texto que o Conselho de Arbitragem anunciou, logo em janeiro, a medida que tivemos a possibilidade de ver concretizada nos principais jogos do futebol português desta última jornada.
Muitos de nós estamos tão focados naquilo que gostaríamos que fosse, que nem ouvimos/lemos com atenção aquilo que realmente é dito/escrito. Isto a propósito das expetativas de muitos em poder ouvir uma explicação da decisão quando apenas está prevista a comunicação dessa decisão.
Sobre os dois casos mais mediáticos e polémicos de intervenção VAR desta jornada: No Rio Ave – Braga a decisão de anular o golo foi correta e o árbitro apenas “falhou” num detalhe da sua comunicação: não referiu o número do jogador que interferiu com o defesa; No Estoril – Benfica a decisão de não assinalar penálti foi claramente errada mas a explicação cumpriu os mínimos daquilo que está previsto com a referência ao jogador envolvido e à opinião/decisão do árbitro de que este não cometeu qualquer infração.
A fluidez, naturalidade e qualidade destas comunicações irá seguramente evoluir e melhorar. É uma novidade para os árbitros e também estes precisam de treino nesta área. Tenhamos, no entanto, noção de que o que está previsto é ouvirmos a comunicação da decisão e não a sua explicação. Um dia chegaremos à explicação detalhada. Mas não é isso que está previsto por agora.