Nestas últimas semanas fui algumas vezes às ilhas para jogos em que o Santa Clara e Marítimo receberam os ditos grandes. Constatei algo que, com tanto investimento que tem sido feito em tudo o que envolve a arbitragem nos últimos anos, pensei já ter sido alterado desde “o meu tempo”. Os árbitros, tão protegidos e blindados em tantas questões da sua atividade, continuam a ser sujeitos e expostos a situações que podem ser pouco agradáveis ou até perigosas: voam em classe económica em voos com grande probabilidade de serem “acompanhados” por elementos de claques e/ou adeptos dos clubes continentais que esses árbitros foram apitar. São cerca duas horas de voo onde será raro não se ouvir, pelo menos, uma piadinha infeliz, mas onde também se podem ouvir “bocas” mais graves e ofensivas.
Felizmente, até agora, nunca passaram de palavras. Pergunto-me, no entanto, se num futebol altamente profissionalizado e numa Liga que se diz tão proficiente em tantas áreas (sim, é a Liga que trata dos voos dos árbitros) ainda se tem esta falta de cuidado na gestão e proteção dos árbitros.
FPF, árbitros e APAF também têm responsabilidade: aceitar em silêncio é compactuar.
Sobre as arbitragens do fim-de-semana? Foi mais uma jornada onde tivemos algumas boas arbitragens e outras menos boas. O habitual no futebol português. E, espantemo-nos, em nada diferente do que são as arbitragens nas outras ligas pelo mundo fora. Com exceção de um detalhe: nas mais evoluídas os árbitros voam, mais protegidos, em primeira classe.