Convido o leitor a fazer um exercício comigo. Um exercício para o qual é necessária alguma capacidade de abstração de clubites. Isto porque, infelizmente, há questões que são pouco diferentes de uns clubes para outros.
Nesta jornada tivemos um clássico do futebol português. Um jogo grande. Nessa partida o árbitro decidiu, a meu ver, globalmente bem fazendo uma excelente arbitragem. Uma equipa ganhou e a outra não. Como estamos em Portugal, a equipa que não ganhou iniciou uma campanha oficial e oficiosa contra a arbitragem. Instalou-se (ou continuou!) um clima de guerrilha, com frames adulterados, discursos mais ou menos alinhados e argumentações inflamatórias. Típico do futebol português. E, reafirmo, tudo muito parecido com aquilo que aconteceria se fosse a outra equipa a ganhar. Só a cor dos protagonistas mudaria.
Já nesta jornada da Liga dos campeões, Benfica e Porto tiveram jogos grandes. Clássicos do futebol europeu. Ambas as equipas terão sido “prejudicadas”. Benfica com um penálti por assinalar e um golo sofrido precedido de falta. Porto com um penálti por sancionar a seu favor. Reações: poucas e contidas. Se fosse em Portugal? Estava o circo montado. Alguém duvida?
A parte fácil do exercício é deixar para o leitor a resposta à questão: o que é que é assim tão diferente que “incentiva” os nossos clubes a terem comportamentos tão inflamados em Portugal e, por outro lado, os faz ter uma postura tão contida em jogos da UEFA?