Autor

Jorge Faustino

Data: 24/02/2021

“…a bola entra em jogo logo que seja pontapeada e se mova claramente…”

“A bola entra em jogo logo que tenha percorrido uma distância igual à sua circunferência”. Até perto do final do séc. XX era assim que a lei descrevia o momento em que a bola entrava em jogo num pontapé-livre (executado fora da área do executante). Em 1997 passou a estar escrito que “a bola entra em jogo logo que seja chutada e se movimente”, sofrendo depois um ajuste para “logo que seja pontapeada e se mova”. Esta alteração aconteceu com o propósito de simplificar a letra da lei e a sua aplicabilidade em campo. A bola ter de percorrer a sua circunferência (68 a 70cm) era demasiado específico e, consequentemente limitativo para um jogador que, por exemplo, quisesse apenas dar um “toque curto para o lado”. A essência, no entanto, mantinha-se: a bola estava em jogo quando depois de tocada pelo executante saísse (se movimentasse) do sítio onde estava.
No entanto, principalmente em livres-indiretos dentro da área a favor da equipa atacante, começaram recorrentemente a acontecer situações em que o executante dava um ligeiro toque na bola, fazendo com que esta “abanasse” quase sem sair do local para um seu colega rematar rapidamente antes que a barreira avançasse.
Porque a bola, mesmo sem sair do sítio, por vezes se movimentava ligeiramente, surgiu a dúvida sobre se essa forma de execução era legal ou não. Assim, em 2016, o IFAB introduziu a palavra “claramente” a seguir à frase “entra em jogo logo que seja pontapeada e se mova… claramente”. O objetivo: recordar o mundo do futebol de que na execução de um livre (e alguns outros recomeços) a bola tem de se movimentar para fora do sítio onde está parada aquando da execução do livre.

Fonte: Record