Autor

Jorge Faustino

Data: 16/09/2025

Ignorância ou má-fé

Os árbitros têm a responsabilidade de gerir o jogo, tomando decisões com base no que veem e de acordo com as Leis do Jogo e o espírito deste. Em cada país, fazem-no também com base nas indicações e critérios definidos pelas respetivas comissões técnicas nacionais. Essas orientações estão sempre, naturalmente, enquadradas nas Leis de Jogo.

Na presente temporada, embora os árbitros sejam basicamente os mesmos da época passada, a estrutura que gere a arbitragem mudou e, com ela, certos critérios. Alguns lances que antes eram considerados na fronteira entre a negligência (amarelo) e a falta grosseira (vermelho) eram decididos “por baixo”, ou seja, com cartão amarelo, porque a indicação era expulsar apenas quando fosse muito claro.

Agora, lances muito parecidos com esses têm vindo a resultar em cartão vermelho, porque a atual liderança técnica de arbitragem entende que um critério mais apertado é mais benéfico para a proteção da integridade física dos jogadores. Podemos discordar desta abordagem — eu próprio tenho algumas reservas —, mas não podemos culpar o árbitro que aplica as instruções que recebeu.

Em suma: gostemos ou não, a mudança de critérios está formalizada, amplamente divulgada e em vigor. É isso que devemos ter presente quando avaliamos este tipo de decisões nesta época. E já agora… comparar lances de épocas diferentes sem ter em conta o que expliquei acima só pode ser por ignorância ou má-fé.

Fonte: Record