Autor

Jorge Faustino

Data: 23/09/2025

“Cantos à Porto”

Os pontapés de canto são um momento do jogo que, por serem uma situação de bola parada em zona atacante, podem ser mais facilmente pensados e trabalhados pelas equipas técnicas, transformando-se em ocasiões de perigo. A forma como o canto é batido, o número de jogadores envolvidos, as posições que ocupam e as movimentações que fazem são, no futebol atual, planeados ao detalhe.

Na época 23/24, e também na passada, falou-se muito dos “cantos à Arsenal”. A equipa londrina marcou vários golos nestes lances usando uma tática — não inventada por Arteta, mas recuperada por ele — que implicava aglomeração de jogadores e movimentações na pequena área, criando dificuldades aos defesas e, sobretudo, ao guarda-redes. O objetivo era libertar um ou dois jogadores para cabecear em melhores condições. A linha entre movimentações legítimas para atacar a bola e ações propositadas para obstruir defesas é, muitas vezes, difícil de identificar.

Recordo isto a propósito dos dois golos de canto do Porto frente ao Rio Ave. A colocação repetida de Alan Varela muito perto do guarda-redes colocou um enorme desafio à arbitragem: perceber se há obstrução, se não existe qualquer infração ou até se o próprio guarda-redes comete falta sobre o médio portista (estivemos mais perto desta última). Para além dos adversários, resta perceber como é que os árbitros vão lidar com os “cantos à Porto” nesta época. São situações exigentes e de difícil destrinça.

Fonte: Record