Autor

Jorge Faustino

Data: 01/08/2025

A primeira (super) final do João Pinheiro

Há nomeações que nos dizem mais do que outras. Não apenas pelo prestígio da competição ou pelo palco onde vão decorrer, mas sobretudo pelo que representam para quem as recebe — e para quem assiste, com orgulho, cá de fora.

A UEFA anunciou que João Pinheiro será o árbitro da Supertaça Europeia 2025, a disputar entre o PSG e o Tottenham, no dia 13 de agosto. E com ele, estarão os seus habituais árbitros assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, o VAR Tiago Martins e o AVAR Fábio Melo (o neerlandês Pol van Boekel como AVAR e o azeri Elchin Masiyev como quarto árbitro completam a equipa). Repito: que orgulho nestes colegas portugueses!

Poucos dias antes, soubemos que o mesmo João Pinheiro estará também no Campeonato do Mundo de Sub-20, em Setembro. Um mês marcante para o árbitro de Fafe, que desde 2016 tem feito o seu caminho no plano internacional e que agora junta o seu nome a uma galeria muito especial de árbitros portugueses que apitaram finais de competições seniores europeias.

Essa galeria, apesar de pequena, tem peso e história:

  • António Garrido, o primeiro português a apitar grandes finais europeias: dirigiu a 1.ª mão da Supertaça Europeia 1977/78 e a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1980.
  • Rosa Santos, que arbitrou a Supertaça Europeia 1990/91.
  • Vítor Pereira, com um percurso europeu notável no início do século: Intertoto 1999,
  • Supertaça Europeia 2000/01 e final da Taça UEFA 2001/02.
  • Pedro Proença, que escreveu uma página única ao apitar, na mesma época, a final da Liga dos Campeões 2011/12 e a final do Euro 2012.
  • E mais recentemente, Artur Soares Dias, nomeado para a final da Conference League em 2024.

A este grupo de elite junta-se agora João Pinheiro, que nesta época já tinha marcado presença na final da Liga dos Campeões como quarto árbitro. O homem do apito. O rosto de um setor que, em Portugal, nem sempre é justamente reconhecido.

É nestes momentos que percebemos que a arbitragem portuguesa, tantas vezes alvo de críticas fáceis e generalizações injustas (basta olhar para os jornais desta semana…), é também feita de excelência. João Pinheiro está onde está por mérito, por trabalho e por resiliência. E com ele está uma equipa que, em conjunto, representa o que de melhor temos na arbitragem nacional.

Parabéns, João. Parabéns a toda a equipa. Que esta final seja mais um passo — e não um ponto final — no vosso percurso de excelência. E que no fim, como tantas vezes desejamos, ninguém fale do árbitro. Porque isso, como tu bem sabes, é o maior elogio que se pode receber.

Fonte: Record