Há nomeações que nos dizem mais do que outras. Não apenas pelo prestígio da competição ou pelo palco onde vão decorrer, mas sobretudo pelo que representam para quem as recebe — e para quem assiste, com orgulho, cá de fora.
A UEFA anunciou que João Pinheiro será o árbitro da Supertaça Europeia 2025, a disputar entre o PSG e o Tottenham, no dia 13 de agosto. E com ele, estarão os seus habituais árbitros assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, o VAR Tiago Martins e o AVAR Fábio Melo (o neerlandês Pol van Boekel como AVAR e o azeri Elchin Masiyev como quarto árbitro completam a equipa). Repito: que orgulho nestes colegas portugueses!
Poucos dias antes, soubemos que o mesmo João Pinheiro estará também no Campeonato do Mundo de Sub-20, em Setembro. Um mês marcante para o árbitro de Fafe, que desde 2016 tem feito o seu caminho no plano internacional e que agora junta o seu nome a uma galeria muito especial de árbitros portugueses que apitaram finais de competições seniores europeias.
Essa galeria, apesar de pequena, tem peso e história:
- António Garrido, o primeiro português a apitar grandes finais europeias: dirigiu a 1.ª mão da Supertaça Europeia 1977/78 e a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1980.
- Rosa Santos, que arbitrou a Supertaça Europeia 1990/91.
- Vítor Pereira, com um percurso europeu notável no início do século: Intertoto 1999,
- Supertaça Europeia 2000/01 e final da Taça UEFA 2001/02.
- Pedro Proença, que escreveu uma página única ao apitar, na mesma época, a final da Liga dos Campeões 2011/12 e a final do Euro 2012.
- E mais recentemente, Artur Soares Dias, nomeado para a final da Conference League em 2024.
A este grupo de elite junta-se agora João Pinheiro, que nesta época já tinha marcado presença na final da Liga dos Campeões como quarto árbitro. O homem do apito. O rosto de um setor que, em Portugal, nem sempre é justamente reconhecido.
É nestes momentos que percebemos que a arbitragem portuguesa, tantas vezes alvo de críticas fáceis e generalizações injustas (basta olhar para os jornais desta semana…), é também feita de excelência. João Pinheiro está onde está por mérito, por trabalho e por resiliência. E com ele está uma equipa que, em conjunto, representa o que de melhor temos na arbitragem nacional.
Parabéns, João. Parabéns a toda a equipa. Que esta final seja mais um passo — e não um ponto final — no vosso percurso de excelência. E que no fim, como tantas vezes desejamos, ninguém fale do árbitro. Porque isso, como tu bem sabes, é o maior elogio que se pode receber.