Autor

Jorge Faustino

Data: 02/02/2019

Vergonha e orgulho

Já muito foi dito e escrito sobre o que se passou na Final Four da Taça da Liga. Porque esta é a minha primeira crónica desde então, faz sentido que não deixe passar a oportunidade sem que, de forma muito sucinta e direta, aborde esses três jogos.

É um facto inegável que aconteceram erros importantes nos jogos das meias finais. Ponto final. O que adveio desses erros deveria ser sinónimo de vergonha para todos os que, de alguma forma, estamos envolvidos com o futebol em Portugal. Situações em que presidentes de clubes fazem declarações e insinuações graves sobre diversos agentes da arbitragem, sendo recorrentes no nosso país, não podem ser aceitáveis. Ver políticos e dirigentes de arbitragem a esquecerem-se da responsabilidade e distanciamento que as suas funções impõem, dispondo-se a fazer tristes comentários sobre arbitragens em redes sociais, é simplesmente deplorável, triste e digno de um país de terceiro mundo.

Ainda sobre a Taça Allianz, e percebam que prefiro focar-me mais nas coisas positivas, vimos uma arbitragem de excelente nível da equipa liderada por um jovem internacional que é já uma certeza da arbitragem portuguesa. Num contexto brutalmente adverso e num jogo com a carga emocional que uma final entre Sporting e Porto sempre têm, o João Pinheiro, com excelente apoio do também internacional Tiago Martins na função de videoárbitro, conseguiu fazer uma arbitragem praticamente sem erros. Uma arbitragem da qual se pode orgulhar e que seguramente irá recordar para sempre. O futebol saiu a ganhar.

Falando em motivos de orgulho, está a acontecer em Portugal, na Cidade do Futebol, um seminário de árbitros da UEFA. Esta ação da Comissão de Arbitragem da UEFA, liderada pelo italiano Roberto Rosetti, trouxe ao nosso país a elite da arbitragem europeia e vai servir, para além de questões relacionadas com a avaliação destes árbitros, para os preparar para o resto da época, em particular, para a introdução do videoárbitro na Liga dos Campeões.

Artur Soares Dias e Sandra Bastos, da elite da UEFA, Tiago Martins por ser opção regular da UEFA e FIFA como videoárbitro e António Nobre, novel internacional, são os portugueses presentes nesta ação. Numa fase de transição de gerações na arbitragem portuguesa, vamos conseguindo que os nossos árbitros continuem a ser valorizados e respeitados “lá fora”. Saibamos “cá dentro” reconhecer-lhes esse mérito.

 

Artigo de opinião publicado no jornal Record na edição de 1Fev2019