Autor

Jorge Faustino

Data: 22/12/2021

VAR, VAR, VAR

Três intervenções do VAR em menos de 45 minutos no jogo Gil Vicente – Sporting são apenas um episódio mais mediático de um fenómeno crescente e que tem duas faces:
Uma delas, a positiva, é a que nos recorda que o VAR veio, efetivamente, ajudar o futebol. Sem VAR, apenas neste jogo, teríamos presenciado a uma expulsão por efetuar, um jogador erradamente expulso por troca de identidade e um penálti claro por sancionar. Ainda existe alguém contra a implementação do VAR?
A outra face, menos positiva e consequentemente mais preocupante, é a perceção (falo de perceção porque não tenho dados estatísticos que a confirmem) de que esta geração de árbitros comete mais erros graves que a geração anterior ao VAR. Estes árbitros, naturalmente não todos, estão demasiado dependentes da qualidade das intervenções VAR para conseguirem ser bem-sucedidos no objetivo de dirigirem os jogos sem erros que impactem a dita verdade desportiva.

Podemos sempre dizer que o objetivo final é que não aconteçam erros graves independentemente de quem, árbitro de campo ou VAR, teve o mérito da boa decisão. É verdade. Mas o sucesso de um árbitro, a forma como é respeitado pelos jogadores e restantes intervenientes, a sua capacidade de liderança e gestão do jogo só surgirá em consequência de boas decisões em campo.

O futuro trará, inevitavelmente, um alargamento das possibilidades de intervenção do VAR no jogo. Isso não poderá nunca significar uma redução da personalidade e autonomia do árbitro de campo. Se assim for, o futebol sairá a perder.

Fonte: Record