Mais uma vez, a APAF organizou o já tradicional Encontro Nacional do Árbitro Jovem (ENAJ). A 21ª edição decorre este fim-de-semana em Castelo de Vide, com o apoio da câmara municipal da localidade, bem como da Federação Portuguesa de Futebol e da Associação de Futebol de Portalegre. O ENAJ será uma oportunidade única para 120 jovens árbitros, entre os 14 e os 18 anos, trocarem experiências e aprenderem com grandes referências do futebol português – a sessão de ontem, por exemplo, contou com Cândido Costa e Hugo Miguel.
É um momento que se reveste de particular importância e que serve também de alerta para um problema que existe há décadas e que se agudiza a cada temporada desportiva: a falta de árbitros e a incapacidade do futebol (assim como de outras modalidades) em atrair jovens para esta carreira. Há demasiadas pedras no caminho de quem queira entrar na arbitragem, mas a verdade é que a necessidade mantém-se. Há cerca de 4.200 árbitros em Portugal mas em cada fim-de-semana há quase dobro dos jogos. Isso faz com que cada árbitro seja recrutado para dirigir até 6 ou 7 partidas, com um consequente desgaste físico e mental, bem como da própria vida pessoal.
Os adeptos habituaram-se a discutir casos de arbitragem como se todo o futebol se resumisse a isso. Mas pouco têm consciência de necessidade de formar e preparar novas gerações. Por este caminho, um dia destes nem haverá árbitros para culpar.