Autor

Luís Miguel Henrique

Data: 15/06/2022

Seis sugestões para a arbitragem

Nestes quase 2 anos desta coluna, nunca dediquei uma linha que fosse à análise de arbitragens, primeiro por entender que existem pessoas bem mais qualificadas do que eu para o fazer e em segundo, porque a pressão exacerbada já existente é nociva para a indústria em si.

Contudo, decidi abrir espaço ao tema e para tal, queria partir da ideia base de podermos equiparar um árbitro de futebol durante uma partida a um Juiz na sociedade civil durante um julgamento.

Imagine o leitor que, durante uma Audiência, todos os agentes da Justiça ali envolvidos (advogados, procuradores, testemunhas, arguidos, etc) entendessem como legitima, válida e até incentivada a predisposição para enganar, mentir, ludibriar e/ou pressionar o Juiz que tem de decidir perante os factos e as Leis ali em questão, seja dentro ou fora do Tribunal, antes ou depois do Julgamento. Seria uma catástrofe anunciada e daí existir o crime de “perjúrio”.

A falta de educação e cultura desportiva onde a trapaça é legítima e incentivada é um dos principais problemas do futebol. Quando fazemos a comparação com outros desportos (Rugby, MMA, Boxe), percebemos que ainda há um grande caminho a percorrer do ponto de vista ético-desportivo, no respeito pela verdade, pelo jogo, pelo adepto e também pelo “Juiz” da partida.

Contudo e até lá, porque imaginar o contrário deste “status quo” é simplesmente utópico, tomei a liberdade de pedir a árbitros e ex-árbitros internacionais, sugestões para melhorar a sector no imediato. Assim, aqui ficam algumas sugestões:

1. A liderança do CA deverá ser pensada de forma mais imune à pressão exterior e não alterar a forma de aplicação dos critérios técnicos consoante quem joga ou a pressão dos Media;

2. A comunicação não pode ser tão fechada e enclausurada;

3. A formação deverá ser pensada não para remunerar e/ou compensar financeiramente o “A” ou o “B” (aparentemente, alguns entendem como um mico-negócio e é gerido como tal), mas mais para o incremento da capacidade técnica dos árbitros, recorrendo até a formadores de outros países;

4. Entender que a falta de maturidade dos nossos jovens (mal comum da sociedade civil, pois hoje ter 35 anos equivale a ter 25, 30 anos atrás) é um factor crítico de sucesso e algo não só a levar em linha de conta como proteger os árbitros mais novos de si mesmos;

5. Criar um verdadeiro programa de “gestão da carreira”, particularmente que antecipe e proteja os árbitros profissionais até para o após-carreira; e “last but not least”…

6. Rever e definir critérios objectivos, transparentes e justos quanto à classificação e avaliação das arbitragens, não estando ao sabor do vento ou do ruído deste ou daquele clube.
Não sei se resolve alguma coisa, mas que a mim estas sugestões fazem muito sentido, ai isso fazem.

Fonte: Record