Autor

Jorge Faustino

Data: 04/02/2022

Retardar o apito

Faltas atacantes em cruzamentos para a área que terminaram em golo têm tido abordagem comum dos árbitros: apitar de imediato sem esperar a bola entrar. Esta forma de atuar tem uma consequência óbvia: em caso de erro claro e óbvio o VAR fica impossibilidade de intervir para uma possível revisão do lance e respetiva validação do golo.

Outra consequência é vermos os clubes que viram ser-lhes “retirada” a possibilidade de obtenção de um golo (não podemos falar de golo anulado) contestarem essa precipitação de apito que impede possível revisão pelo VAR.

Sobre isto importa referir dois pontos do protocolo VAR.

O primeiro, explanado nos princípios do protocolo, diz que “o árbitro deve sempre tomar uma decisão” sem esperar pelo VAR e “protege”, de certa forma, esta forma de atuar dos árbitros.

Mas o mesmo protocolo também refere: “Retardar a bandeira/apito para uma infração só é permitido numa muito clara situação de ataque quando um jogador está prestes a marcar um golo…”. É verdade que um cruzamento para a área não encaixa de forma direta neste descritivo, mas o mesmo deixa margem para uma interpretação que permita aos árbitros atuar de forma diferente do que têm feito.

Faz então sentido colocar a questão habitual: o que é que o futebol espera?

Fonte: Record