Quem andou na arbitragem e/ou quem consegue olhar para o futebol de forma distante de paixões clubísticas, sabe que não se pode afirmar que existem lances iguais. Sabe também que há lances que, pelo grau de subjetividade que a sua análise implica, dificilmente podemos “carimbar” com uma única decisão. Há, no entanto, lances semelhantes. Aqueles em que conseguimos identificar uma série de fatores comuns que nos levam a optar pela mesma decisão.
Trago aqui esta questão pelo facto da infração que levou à expulsão de Ndiaye (Estoril) com segundo amarelo por falta sobre Veron (FC Porto), me ter recordado a expulsão com vermelho direto, na época passada, de Luiz Diaz (FC Porto) por falta sobre David Carmo (na altura no Sp. Braga).
Não quero aqui aprofundar sobre a decisão acertada ou errada em cada um dos momentos, até porque a minha opinião é pública, mas acredito que o futebol português beneficiava se em lances com esta exposição mediática houvesse um esclarecimento sobre qual a “boa decisão” a tomar. Sem isso, tivemos longas discussões sobre se a expulsão foi correta ou não. Tal como este ano, caso Ndiaye não tivesse já um amarelo, estaríamos a discutir sobre se deveria ou não ter sido expulso. E, daqui a poucas jornadas, em mais um lance semelhante com decisão diferente, estaremos a discutir e a questionarmo-nos sobre “qual é afinal a decisão correta?”