Autor

Jorge Faustino

Data: 10/04/2019

Proteger o futebol

Entrámos na fase da temporada em que, para alguns clubes, todo o tipo de argumentos e ataques começam a valer desde que acreditem que, dessa forma, vão conseguir condicionar comportamentos e daí retirar algum benefício.

Neste contexto, vamos ver e ouvir todos os fins de semana reclamações sobre decisões que envolvem pontapés de penálti, golos em fora-de-jogo e também expulsões. Vamos ver e ouvir agentes com responsabilidade no futebol a acusar árbitros, assistentes e vídeo-árbitros de incompetência ou, mais grave, de cegueira seletiva.

Os nossos árbitros, uns mais competentes que outros como em todas as áreas da sociedade, estão já habituados a este ambiente. Infelizmente é algo para o qual vão sendo preparados ao longo da época, onde a guerra de comunicação entre clubes os vai recorrentemente envolvendo. Estão também preparados porque época após época a realidade é esta. Quem perde, acusa para tentar justificar essas derrotas e, quem ganha, também acusa para não vir alguém dizer que estão calados porque estão a ser beneficiados. É o futebol das acusações e do barulho.

Mas há exceções. Os mesmos clubes e as mesmas pessoas sabem ter outros comportamentos, mais discretos e menos agressivos, quando participam em determinadas competições. Esta semana joga-se a Liga dos Campeões e a Liga Europa. É curioso olhar para o percurso das equipas portuguesas nestas competições, não apenas na presente época, mas em épocas anteriores, e perceber as reações dos seus dirigentes e treinadores em jogos onde foram claramente prejudicados. O leitor tem dificuldade em lembrar-se de alguma posição de força contra o Comité de Arbitragem da UEFA? Não se recorda de acusações de incompetência ou suspeitas de falta de seriedade dos árbitros internacionais que dirigiram esses jogos? Eu também não… O motivo: o organizador dessas competições (UEFA) preocupa-se em proteger o seu produto. Quem lança suspeitas ou faz acusações a agentes ao serviço da UEFA é seriamente castigado. Alguma vez a Liga (Clubes) e a FPF terão a força e vontade para proteger o futebol desta forma?

 

Artigo de opinião publicado no jornal Record de 10 de abril de 2019