O “caso” da criança que foi exposta ao infeliz episódio de ver um jogo em tronco nu não pode morrer quando a espuma mediática desaparecer daqui a uns dias.
As entidades que pensam e propõem regulamentos, quem os aprova e quem os implementa terão de aprender com este caso e repensar se as coisas estão bem como estão e/ou o que deve ser mudado.
Eu acredito que há coisas que têm mesmo de ser alteradas. Aliás, eu, como ex-árbitro, como comentador de arbitragem na comunicação social ou como simples adepto de futebol posso dizer que este episódio não deveria ter acontecido, que nos envergonha a todos e que não é o futebol que eu quero. Já a Liga e o seu presidente, o Secretário de Estado e outras figuras com responsabilidades no futebol português não podem, quais virgens ofendidas e alheadas de uma realidade regulamentar que têm obrigação de conhecer, vir exigir responsabilidades, pedir reflexões e/ou apontar dedos. A discursos que surgem apenas para agradar às massas chama-se populismo. E não é com populismos que vamos construir um melhor futebol português.
Não sei se a “culpa” é do clube, dos seguranças privados, das forças de segurança pública, dos regulamentos, do pai ou de uma conjugação de responsabilidades conjuntas, mas termino como comecei: este episódio não pode terminar sem consequências.