Autor

Jorge Faustino

Data: 23/07/2020

Orgulhosos

Foram 81 anos de arbitragem, 56 anos na primeira categoria nacional, 16 anos como internacional e mais de 2000 jogos realizados no futebol profissional. Duas finais da Taça de Portugal, três Supertaças, uma final da Taça da Liga e muitas dezenas de clássicos e derbies.

Estes são alguns dos números agregados de três homens que este fim de semana viveram o último jogo das suas carreiras. Carlos Xistra (árbitro), Venâncio Tomé e Jorge Cruz (árbitros assistentes) são os “miúdos” que conseguiram viver o sonho de dedicar uma parte importante da sua viva adulta à atividade pela qual se apaixonaram ainda muito novos.

Iniciaram-se na arbitragem num momento em que esta atividade era vista e vivida de forma muito pouco profissional e, por vezes, com caminhos sombrios. Viram a gestão da arbitragem saltar da FPF para a Liga e da Liga para a FPF, viveram o apito dourado e acabam a carreira na era do árbitro profissional.

São de uma geração (a última) que aprendeu a dirigir jogos com um apito ou bandeirola na mão. Apenas isso. Sem bandeirolas bip, sem intercomunicadores e, mais recente, sem videoarbitragem. São de uma geração que cresceu a assumir as suas decisões em campo. Tanta falta que gente desta faz…

Carlos, Venâncio e Jorge, parabéns pelo vosso percurso. Sintam-se orgulhosos. A arbitragem portuguesa tem obrigação de se sentir orgulhosa de vocês!

Fonte: Record