Autor

Duarte Gomes

Data: 23/10/2020

O que mudaríamos nós no futebol? O adepto sabe mais do que quem sabe. Concordam?

Não sei se já pensaram nisto, mas os adeptos, que são a essência e a alma do jogo, estão quase sempre afastados dos grandes processos de decisão.

Claro que podem participar nas AG e votar para os corpos sociais do seu clube (se forem sócios), mas na prática não têm poder para definir parâmetros mais estruturais no espectáculo, na modalidade.

Parece-me injusto. Além do entusiasmo e energia que transportam lá para dentro (quantas e quantas vitórias já deram às suas equipas?), pagam quotas, fazem viagens, subscrevem canais “pay per view”, adquirem bilhetes, boxes e camarotes, compram ações, camisolas e cachecóis, aderem a iniciativas obrigacionistas, enfim, são donos… mas pouco.

Imaginem, por absurdo, que lhes era dada a possibilidade de assumirem as rédeas do jogo. Que lhes era oferecida a possibilidade de mudarem o que quisessem no futebol.

Como reagiriam? O que escolheriam?

Em tempos lembrei-me de lançar um desafio semelhante, nas redes sociais do “meu” Kickoff, pedindo que me dissessem que leis de jogo mudariam. Que regras suprimiam ou acrescentariam. O que fariam diferente para que o jogo fosse mais justo, atrativo e valorizado.

As respostas foram muitas e, confesso, muito surpreendentes. Vejam se concordam com algumas das mais votadas:

1. Pontapés de penálti (ou pontapé-livre direto) a punir a equipa que cometa a sua décima falta (depois, novo penálti ou livre, de cinco em cinco infrações adicionais);

2. Fim da exibição do cartão amarelo aos jogadores que despirem a camisola na celebração de golos;

3. Cronometragem do tempo útil de jogo;

4. Fim das substituições após o minuto 90′ (para evitar perdas de tempo);

5. Lançamentos laterais efetuados com o pé;

6. Fim da regra do fora de jogo ou restringir a sua aplicação ao interior das áreas;

7. Fim do pontapé de baliza (recomeço feito, pelo GR, com as mãos como se fosse uma defesa, sobre a qual aplicava-se a regra dos 6”);

8. Jogador que lesionasse outro teria que sair do terreno de jogo por igual período ao do lesionado. Se esse não regressasse, ele não regressaria também;

9. Suspensão temporária (5′ ou 10′) para determinado tipo de infrações – por exemplo, através da exibição do “cartão azul”;

10. Assistência em campo de lesionados sem interrupção de jogo (para os casos menos graves e à exceção do GR);

11. Substituições volantes sem número limite, em que um substituído poderia voltar a jogo (sem paragens e controladas pelo 4A, à exceção dos GR);

12. Árbitros a falarem sobre as incidências dos jogos (na flash interview ou conferência imprensa);

13. O 4′ Árbitro passaria a poder autorizar a entrada em campo das equipas médicas;

14. Fim dos pontapés-livres indiretos – todos passariam a ser diretos;

15. Cartão vermelho para simulações evidentes;

16. Só o capitão de equipa poderia falar com o árbitro: qualquer outro jogador que o fizesse seria punido com advertência;

17. Introdução do “Cartão Branco” (do FairPlay) em todas as competições: o jogador a que fosse exibido, ficaria com registo disciplinar limpo (cartão amarelo anulado);

18. Protestos contra a equipa de arbitragem punidos com pontapé-livre direto 5m à frente do local da infração;

19. Colocação de uma câmara no árbitro (junto à testa/cabeça), para que o adepto pudesse ver qual a perspetiva real que teve num lance de análise difícil ou discutível.

20. Todos os jogadores suplentes poderiam aquecer ao mesmo tempo, desde que em local adequado e sem intervir com o jogo e seus intervenientes.

Querem a minha opinião?
Brilhante. Simplesmente brilhante.

O adepto sabe mais do que quem sabe.
Concordam?

Fonte: SIC Notícias