Autor

Jorge Faustino

Data: 02/03/2022

O outro papel do desporto

Como uma vez disse Arrigo Sachi “o futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes” e, nesse sentido, hoje não venho escrever sobre penáltis, golos ou expulsões.

A crise na Ucrânia é, incontornavelmente, o assunto no momento e, o que lá se passa, tem repercussão em todas as áreas da(s) sociedade(s). Se todos somos, direta ou indiretamente, impactados pelo absurdo comportamento da Rússia (ou do seu líder), todos temos o dever de atuar.

COI, FIFA, UEFA e mais um sem número de confederações e federações das diversas modalidades já tomaram uma posição: impedir seleções, clubes e atletas russos de tomarem parte nas suas competições. Se considero injusto que milhares de atletas russos, muitos deles até discordando da guerra, se vejam impedidos de desenvolver a sua atividade “apenas” pela sua nacionalidade. Sim, considero. Individualmente não mereciam ser “castigados” desta forma. Mas o que se está a passar é algo maior do que cada um deles.

O desporto tem sido, historicamente, um instrumento tanto de afirmação como fragilidade de regimes e estados. A proibição da representação de um país em grandes competições pode criar insatisfação dos respetivos povos. Essa insatisfação poderá vir a ser, neste caso, mais um motivo, a juntar a outros, que leve os russos a revoltarem-se contra a sua liderança e à busca de uma mudança. Vamos acreditar que sim. E, aí, o desporto terá feito a sua parte.

Fonte: Record