O desporto, com o futebol à cabeça, continua a ser uma das maiores e melhores distrações do ser humano.
Ainda que, aqui e ali, pincelado de momentos evitáveis (alguns até reprováveis), a verdade é que o talento e compromisso que atletas e técnicos nos oferecem regularmente tem sido suficiente para nos fazer esquecer, a espaços, alguns dos dramas atípicos que caraterizam o nosso dia a dia.
É como se a pandemia e a guerra no leste europeu tivessem estabelecido uma espécie de pacto maquiavélico para nos desassogar, mas à vez. Parece que arquitetaram uma espécie de plano cronológico só para nos tirar a alegria e a liberdade. Só para nos perturbar o sono.
Ainda nem tirámos as máscaras da cara e já andamos com receio que a insanidade estratégica de Putin escale para algo ainda mais perverso e perigoso.
Esta agonia lenta, que ora nos limita a liberdade, ora nos impõe uma realidade horrível de assistir, afeta-nos em tudo: na alegria, na auto-estima e até na consciência. Sentimos que não devemos estar genuinamente felizes.
Mas essa mordaça psicológica é quebrada, por exemplo, pelas várias modalidades e competições que ocorrem um pouco por todo o lado.
É verdade o que dizem: o desporto faz mesmo bem à saúde.
E é através do esforço e empenho de tantas e tantos desportistas que nos reencontramos com as melhores memórias. Que relembramos todas as suas melhores sensações.
Acho que devemos estar gratos a todas(os) aqueles que se esforçam, a cada treino e a cada jogo/competição, para darem o melhor de si, em prol do que acaba por ser o melhor para nós.
Todos têm a capacidade de nos afastar o pensamento de sentimentos mais destrutivos e deprimentes.
Isso não faz de nós egoístas e irresponsáveis nem nos afasta a consciência cívica. Pelo contrário. Garante-nos energia, força e capacidade para enfrentarmos o que aí vem com outra predisposição.
Nesta matéria, deixo um apelo final à maioria da imprensa generalista, que editorialmente prossegue uma política de informação que sinto não ser a ideal.
É certo que todos devemos estar informados e atualizados. Todos devemos saber o que acontece e o que está a ser feito. Mas excesso de informação não é boa opção. Nunca foi boa opção.
A luta compreensível por números e audiências parece obrigar a uma batalha do “quem dá mais e melhor”, quando nem sempre a opcão melhor serve os consumidores. As pessoas.
Para além das más, há notícias boas para dar. Há sempre coisas giras a acontecer, coisas positivas para dizer e mostrar e essas (também) devem ser partilhadas. Sistematicamente. Exaustivamente. Sobretudo em tempos como este.
Mortes, bombardeamentos, fugas, sanções, refugiados, aumento do preço dos combustíveis, aumento do preço dos alimentos, greves, secas, mais mortes, mais fugas e sanções, novas variantes covid-19, assassinatos, acidentes rodoviários, esfaqueamentos, sim. Existem… mas calma.
24 sobre 7 é demasiado. Desculpem. É demasiado.
Precisamos que a nossa comunicação social faça o papel que o “desporto” faz e nos ajude a despir a angústia que sentimos de nos metermos na cama a cada dia que passa. Precisamos que tenha papel ativo na recuperação da nossa esperança e otimismo.
O que é bom fica na memória, mas o que é mau fica ainda mais.
Já não vivemos tempos demasiado difíceis?