Portugal é um país situado no sudoeste da Europa, com uma população relativamente pequena: somos pouco mais de dez milhões de habitantes.
É pequenino sim mas muito, muito bonitinho.
E é também um cantinho seguro, sem conflitos históricos acentuados, sem problemas internos graves e sem dificuldades extremas. Não corre tudo bem, é certo, mas todos sabemos que há quem viva (ou sobreviva) em condições bem mais desfavoráveis do que as nossas.
No futebol somos o que sabemos: enormes. Enormes na alma, na atitude, no talento e na organização.
Sendo poucos, não nos faltam referências individuais, competições de excelência e resultados de topo, sobretudo quando comparados com potências teoricamente superiores. Com países com mais meios, mais gente e mais oportunidades.
Mas o desporto neste belo país não pode nem deve resumir-se à qualidade enorme das nossas seleções ou aos atributos únicos dos nossos craques.
Há vida (e da boa) para além do futebol.
E hoje quero aqui prestar homenagem a tantos e tantos homens e mulheres de outras modalidades que nos honram e prestigiam a toda a hora, elevando bem alto o nome de Portugal.
São, mais do que talentosos atletas, competidores de exceção. Gente com sangue na guelra, dona de uma vontade e qualidade inabaláveis. Refiro-me, por exemplo, ao “monstro” Fernando Pimenta, que voltou com medalhas dos europeus de canoagem. Refiro-me também ao seu colega João Ribeiro (vice-campeão em K1-500m).
Refiro-me ainda aos feitos mágicos dos nossos briosos paralímpicos, que somam lugares fantásticos (e muitas medalhas!) nas várias provas internacionais em que participam:
– O Miguel Monteiro (campeão europeu no lançamento de peso, categoria F40), o Norberto Mourão (campeão europeu nos 200m, em VL2 – canoagem), a Sara Araújo (bronze nos 100m em T12), o Luís Costa (prata no ciclismo, classe H5), a Carina Paím (prata no 400m em T20), o Mário Trindade (bronze nos 100m em T52), o Telmo Pinto (prata no contrarelógio em C2), o Bernardo Vieira (bronze no contrarelógio, classe C1), o Hélder Mestre (bronze nos 100m em T-51), o eterno Lenine Cunha – o atleta mais medalhado do planeta (!!) -, que desta vez trouxe o bronze no salto em comprimento (T20) e ainda a Márcio Araújo, a Inês Fernandes, a Sandra Baessa, o Luís Gonçalves, o Lucas Pinheiro e o Alex Santos.
Mas há mais resultados dignos de elogio: por exemplo o nadador Francisco Santos garantiu agora o seu apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio (categoria 200m costas).
A surfista Yolanda Hopkins sagrou-se vice-campeã mundial (ISA, em El Salvador). A sua parceira na modalidade, Teresa Bonvalot (atual campeão nacional) ficou em 3.º na final feminina e, tal como a colega, também conseguiu o apuramento para os JO.
O Miguel Oliveira continua a arrasar. Desta vez, venceu (e convenceu) no GP de Moto GP na Catalunha.
A Raquel Queirós foi a melhor Sub-23 no circuito Superprestigio MTB (prova de ciclismo em Espanha). Ainda no ciclismo, o João Almeida e o Rúben Guerreiro trouxeram novos excelentes resultados, desta vez na Volta à Itália.
E depois há a Telma Monteira, judoca de classe mundial e recentemente eleita melhor atleta portuguesa do ano.
Além de todos estes, há muitos outros que dedicam uma vida inteira a treinos intensos, a estágios, a viagens exaustivas, à preparação teórica recuperação, à gestão de esforço e lesões, às provas regionais, nacionais e internacionais e a todo o outro tipo de “sacrifícios” pessoais e profissionais que a alta competição exige a quem entrega o seu talento sem pedir nada em troca.
A todos eles… um enorme bem-haja.
São a nossa alegria, o nosso orgulho, a bandeira lusa que transportamos no nosso coração.