Autor

Luciano Gonçalves

Data: 29/10/2022

Ninguém tem culpa. Nem nós!

Ser árbitro já é só por si uma atividade que demonstra coragem, mas hoje em dia além da paixão tem de existir um grande esforço financeiro para se conseguir suportar as despesas inerentes à função. Não apenas o combustível, que é a principal dificuldade, mas a alimentação, os equipamentos desportivos e tecnológicos como BIP ou SCA (intercomunicadores) são despesas elevadíssimas numa remuneração que muitas vezes é demasiado baixa. É verdade que os valores variam imenso de norte a sul, mas dos apoios financeiros pouco fica na carteira do árbitro. Um subsídio de alimentação de 6 euros para um árbitro almoçar entre dois jogos é apenas um dos vários exemplos dos subsídios injustos. E já nem menciono a inexistência de apoios na aquisição de material desportivo, que fica totalmente a cargo dos árbitros, com exceção dos primeiros dias de atividade, em que a APAF e o CA das ADR’s e FPF entregam uma camisola.

Bem sei a dificuldade que as próprias associações têm para suportar o que suportam, mas não poderão ser os árbitros e os seus agentes a suportar o que as associações ou FPF não conseguem. Temos de encontrar soluções para não deixar que mais este problema acelere o abandono de uma atividade que cada vez mais necessita de acompanhar o crescimento do futebol e futsal.
O principal problema é o valor do combustível. Cada vez mais é importante que o valor do subsídio por quilómetro seja percentual ao valor médio mensal. Se não puder ser acima de 0,36 cêntimos, utilizem outra forma de compensar estes valores que são despesa e não rendimento. Não deixemos que este motivo seja mais um fator de abandono.

Fonte: Record