Autor

Jorge Faustino

Data: 30/10/2024

Não pode acontecer

As últimas jornadas têm acentuado uma tendência, não exclusiva de Portugal, de um grande fosso entre clubes grandes e restantes. Cada vez mais, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres (também não é exclusivo do futebol) o que faz com que a competitividade da nossa liga seja cada vez menor. Com diminuição da competitividade, baixa-se a qualidade do futebol e dos seus intervenientes. É incontornável.

Isto também deve preocupar o setor da arbitragem, pois, sendo os árbitros agentes ativos do futebol, também eles começarão a sofrer consequências: menos exigência nos jogos levará a uma menor competência. É um tema a acompanhar de perto.

Não será já uma consequência do que foi referido acima, mas nesta jornada ocorreu, no jogo Benfica – Rio Ave, um dos erros mais graves da Liga até ao momento. Panzo cometeu uma falta grosseira sobre Kokçu – entenda-se, extremamente perigosa para a integridade física do jogador do Benfica. O árbitro assinalou a falta e exibiu o cartão amarelo. É um erro grave, que se torna ainda mais grave quando as imagens televisivas, tão esclarecedoras, não motivaram a intervenção do VAR. Seja qual for a razão que levou à ausência de intervenção do VAR – e acredito que possam existir várias “válidas” – este lance acaba por ser terrível para a credibilidade da videoarbitragem. Um caso de jogo que a arbitragem deve, internamente, analisar e compreender o que motivou o erro, para que tal não se repita.

Fonte: Record