Autor

Duarte Gomes

Data: 10/09/2021

Não haverá milagres. Os jogos arbitrados por portugueses, franceses ou somalis continuarão a ter erros, polémicas e críticas descabidas

O intercâmbio de árbitros

Dezassete anos depois da ideia ter sido sugerida pela primeira vez, o programa de intercâmbio de árbitros vai mesmo concretizar-se na próxima jornada. Willy Delajod, internacional francês de 28 anos, viajará até ao norte para dirigir o FC P. Ferreira-SC Braga do próximo sábado.

No sentido inverso — algo menos mediatizado, o que não deixa de ser surpreendente — Luís Godinho e Bruno Esteves (VAR) estarão no Bordéus-Lens (domingo, às 14H).

Este é um momento pioneiro, que deve ficar registado como um marco importante na história da arbitragem portuguesa.

Apesar de vários ensaios feitos em épocas anteriores (árbitros portugueses já dirigiram dezenas de jogos de ligas estrangeiras, como a saudita, grega ou ucraniana), a verdade é que o programa de intercâmbio nunca antes tinha sido concretizado nestes moldes: com troca de árbitros direta, na mesma jornada e na sequência de acordo firmado entre federações nacionais (no caso, FPF e FFF).A resistência à mudança é normal e, muitas vezes, levanta questões relevantes que só o tempo encarrega-se de esclarecer:

— “Será que estas iniciativas desvalorizam a qualidade e competência dos nossos árbitros? Será que são um subterfúgio para poupá-los à exposição de jogos mais acalorados? Será que o mundo do futebol (de jogadores a adeptos) aceitará com agrado a mudança pontual de paradigma?”

Fonte: Expresso