Autor

Luciano Gonçalves

Data: 05/11/2022

Muito além do apito

“Quem só sabe de futebol, de futebol nada sabe”. A frase sempre repetida pelo professor catedrático Manuel Sérgio é cada vez mais atual. Da mesma forma, um árbitro que só saiba leis do jogo não percebe nada do jogo.

Ser árbitro no séc. XXI é antecipar-se, fazer parte de um mundo especial onde a qualquer momento nos podemos deparar com situações especiais, onde o caráter e respeito vai muito além do dirigir um jogo. Deve estar preparado se para tudo – até para saber dar um abraço quando um colega de jogo, seja árbitro, dirigente, jogador ou treinador, se depara com a dor de quem perde um familiar, como aconteceu recentemente entre o árbitro Carlos Macedo e o míster Filipe Martins.

Esta semana tivemos a árbitra e diretora da APAF, Eunice Mortágua, a receber em Roma o prémio ‘Spirit of Fair Play Award’, distinção que surge no seguimento de dois momentos em que a nossa colega se deparou com a necessidade de prestar os primeiros socorros a dois jovens jogadores que entraram em paragem cardiorrespiratória. Eunice é uma árbitra com mais de 20 anos de carreira, que se foi preparando para o inesperado, com a formação em suporte básico de vida, entre outras, e sugeriu que esta devia ser obrigatória.

Hoje em dia é essencial que um árbitro tenha formação desde o início da carreira em áreas tão distintas como comunicação, liderança, gestão de emoções, gestão financeira, inglês, suporte básico de vida, entre muitas outras. Tal como sucedeu com a Eunice, nunca sabemos como poderemos ter de aplicar os conhecimentos adquiridos. Ser árbitro é muito mais do que apitar.

Fonte: Record