Autor

Vítor Santos

Data: 10/06/2022

Hipocrisia Desportiva

Nos últimos dias temos visto muitas pessoas a regozijarem-se pelo facto de Portugal não ter nenhum árbitro no Mundial do Catar. Esta situação, para estas pessoas, vem dar força aos seus argumentos de que os árbitros em Portugal não têm qualidade e a arbitragem é um mundo perverso e corrupto.

A verdade é que os adeptos anónimos desconhecem todo o processo de seleção de árbitros para uma competição destas e a cota do número de árbitros que o continente europeu tem. Para os agentes desportivos e os que gravitam à volta do desporto este desconhecimento é incompetência e muitas das vezes má-fé.

Estes agentes desportivos, quando não é o clube deles, vibram quando o Porto, Sporting ou Benfica são eliminados das competições europeias e que criticam negativamente o selecionador Fernando Santos consoante a escolha que faz em relação a atletas dos seus clubes. São os mesmos que torcem contra o Manchester City por ter jogadores formados no Benfica, contra o Liverpool por ter o Luis Diaz ex- Porto, contra o Manchester United por ter Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo ex-Sporting. Fica-se mesmo na dúvida se torcem pelo seu clube ou contra os outros.

Ou seja, esta gente não gosta de desporto, não gosta de futebol. Esta gente não respeita a modalidade. Se quem não gosta tem o dever de respeitar, quem gosta muito mais. Não se defende a modalidade e os seus agentes. O clubismo pacóvio está em crescendo! Verdade. Não conseguimos evoluir desportivamente. Estamos a falar na formação de cidadãos civilizados e respeitadores. Os Pavilhões e campos de futebol são um antro de desrespeito imensurável.

Quando são os próprios agentes desportivos (dirigentes, treinadores, atletas, jornalistas ou que já exerceram estas funções) a desrespeitarem a modalidade então está tudo mal. Muito mal. Agenda próprias e muitos ressabiados. Este clima de ódio está a contagiar todas as outras modalidades.

Hoje já não se vê o jogo, mas assiste-se ao programa onde se debatem situações que não têm a ver com o mesmo. Irreal. Não se aprecia o jogo. Não se desfruta do espetáculo. Não se procura ser feliz, mas humilhar o outro.

As redes sociais são o espelho da sociedade e definem o carácter de quem escreve e não de quem mencionam. Ser independente não é fácil. Todos temos simpatia por algum clube, mas o que se está a viver em Portugal é um fanatismo em que muitos se agarram para dar algum sentido à vida.
A hegemonia que muitos falam não é mais do que mais poder e tornarem um regime ditatorial desportivo. A alternância na vitória é sinal de qualidade, de competição, de qualidade.

Formação académica, um talento para jogar, arbitrar, escrever ou cantar não são garantias de educação e civismo!!

Fonte: Viseu Now