Hoje, último dia do ano, seria um bom momento para fazer um balanço sobre o estado da arbitragem ou do futebol português. Um balanço quantitativo, que sustentasse posições, ou qualitativo, avaliando a maior ou menor competência dos vários intervenientes, com foco natural naqueles que são alvo das minhas análises ao longo do ano: os árbitros.
Não vou por aí. Vou pelo desabafo de quem está ligado à arbitragem há mais de 30 anos e assiste, com embaraçosa regularidade, a ciclos de ataques ferozes à classe, colocando árbitros, sejam eles quem forem ou tenham a qualidade que tiverem, num estado permanente de fragilidade e ruído do qual é muito difícil sair de forma positiva. O que se diz e faz aos árbitros e a outros agentes da arbitragem em Portugal é, simplesmente, vergonhoso.
A impunidade com que tudo acontece devia envergonhar-nos. Mas como muitos estão ligados, profissional ou emocionalmente, aos grandes clubes (tendo estes talvez a maior responsabilidade neste ambiente) normalizou-se o que não é suposto ser normal. O ruído no futebol português é uma anormalidade.
Dito isto, não escamoteio que, nas últimas semanas, a arbitragem não ajudou a acalmar o ambiente, com erros em campo e no VAR. Há que melhorar. Muito. Mas o ruído já cá estava antes desses erros e continuará mesmo quando os árbitros acertarem mais.
Ainda assim, nesta época do ano, vou acreditar no Pai Natal… embora, com apenas dois lugares na Champions, temo que nem ele consiga acabar com esta guerrilha.