Nas últimas semanas, o futebol português despertou com violência para o tema do assédio. Várias jogadoras denunciaram treinadores e dirigentes pelo alegado envio de mensagens de cariz impróprio, em factos que aconteceram em épocas anteriores. Como parte da família futebol, o desejo da APAF é que tudo seja investigado até às últimas consequências e que, se houver culpados, que sejam devidamente punidos.
As árbitras, felizmente cada vez em maior número, também têm de lidar com situações de assédio ou demonstrações de machismo – ainda há poucas semanas, um adepto (?) foi condenado a pagar uma multa de 750 euros por insultar uma árbitra assistente, além de a mandar “para a cozinha”.
Mais do que castigos, esperemos também que este primeiro passo dados pelas jogadoras seja também o fim do silêncio com que estes temas foram tratados até agora. É fundamental que quem está no futebol se sinta confortável, quer a praticar o desporto que ama, quer a denunciar aquilo que está mal na altura certa, não deixando passar meses ou anos sobre os factos.
Isto terá também um efeito para o futuro. O futebol precisa de mostrar à sociedade que é um mundo inclusivo, onde todos e todas são bem-vindos. E precisa também que os pais dos jovens que dão os primeiros pontapés na bola se sintam confiantes quando deixam os seus filhos e filhas entrarem para este universo maravilhoso.