Autor

Jorge Faustino

Data: 11/01/2019

Fase de ataque

Em Fevereiro do ano passado, na sequência de erro de interpretação do protocolo por parte de um árbitro em função de VAR, o Conselho de Arbitragem publicou um comunicado onde, admitindo esse erro, aproveitou para esclarecer o que se deveria entender por “fase de ataque”.

Dizia esse comunicado que “a fase de ataque consiste numa jogada que vá rapidamente na direção da baliza adversária. Quando a equipa que desenvolve uma fase de ataque decide recuar em direção ao seu meio-campo ou a defesa adversária joga a bola passa a ser uma nova jogada, eliminando-se as eventuais infrações técnicas cometidas na anterior fase de ataque.”

Tive, na altura, oportunidade de escrever a minha opinião onde, valorizando a iniciativa do CA em reconhecer o erro e tentar esclarecer sobre qual o entendimento correto, alertei para o facto deste esclarecimento ser demasiado simplista perante aquilo que o protocolo refere quanto à definição e entendimento do que é “fase de ataque”.

Quase um ano depois, voltámos a ter uma polémica sobre como devemos entender esta questão da “fase de ataque”. Polémica essa, criada em parte, pela forma simples e “curta” com que esta questão foi explicada na altura.

A descrição acima está correta, mas incompleta. É importante acrescentar alguns pontos sobre este tema para que o leitor/adepto possa passar a avaliar este tipo de lances com todos os instrumentos definidos no protocolo. Nomeadamente:

Definir a “fase de posse de bola atacante” exige que o árbitro (assistido pelo VAR) determine:

  • o ponto em que a equipa atacante ganhou a posse de bola e então
  • o ponto em que a fase de jogo que conduziu ao incidente de golo/penálti teve início

Não é considerado uma conquista da posse de bola:

  • uma defesa, desvio ou ressalto que não resulta no controlo da bola
  • um alívio que não chega a um colega de equipa ou não é controlado por este

Para definir o ponto em que o movimento da fase atacante tem início, que poderá ter algum grau de subjetivividade, deve decidir-se:

  • o ponto em que a equipa atacante avançou com a bola em direção à área de penalti dos adversários; se a equipa atacante tem um longo período de posse de bola em que ‘mantém a bola’; o ponto em que ou cruzam a linha de meio-campo (para ‘manter a bola’ no seu meio campo) ou, se ‘mantiverem a bola’ no meio-campo adversário; o ponto em que se inicia uma fase de jogo para a frente/atacante.

Alguns destes tópicos poderão ser subjectivos. Outros não. Mas são eles que ajudarão a perceber e definir o que devemos entender como fase de ataque na revisão de um lance de golo, penálti ou expulsão por clara oportunidade de golo.

 

Artigo de opinião publicado no jornal Record na edição de 9Jan2019