Autor

Duarte Gomes

Data: 30/06/2021

Este Europeu vai com menos faltas, menos cartões e mais tempo útil. Há mais vontade em jogar futebol?

Como geralmente acontece após as fases iniciais das suas competições, o Comité de Arbitragem da UEFA (liderado por Roberto Rosetti) fez um balanço à qualidade das arbitragens até à data.

Segundo o italiano, ex-árbitro de elite e um dos melhores da sua geração, o nível global do trabalho realizado por árbitros e videoárbitros foi muito bom e o que se pretende é que seja ainda melhor nas fases que agora se aproximam.

Numa nota inicial, Rosetti agradeceu o empenho e compromisso com que a sua equipa (a 25.ª na competição) encarou a prova, realçando a atitude profissional que têm mantido ao longo das últimas semanas.

E sim, têm sido realmente semanas de muito trabalho, que começaram com provas físicas exigentes e mantêm-se agora com treinos diários, visionamento exaustivo de vídeos, análise cuidada de jogos, viagens por toda a Europa, estágios, preparação de jogos e cuidados ao nível da nutrição, do descanso, do team building, etc.

A nível pessoal, Roberto Rosetti destacou a forma exímia como Anthony Taylor lidou com o drama vivido por Eriksen, da Dinamarca.

Naquele que foi, seguramente, o momento mais difícil da carreira do inglês, a resposta dada foi à altura do que se esperava: prioridade máxima ao jogador, tranquilidade na aparência, gestão perfeita dos tempos, imagem de altruísmo e caráter. Pode parecer um detalhe, mas seria catastrófico se o inglês tivesse reagido (ou decidido) de forma distinta.

Quanto a números (até ao fim da fase de grupos), alguns dados curiosos sobretudo se comparados com Euro 2016:

1 – Foram assinaladas 806 faltas (média de 22.4 por jogo). Menos 105 do que em 2016;

2 – Foram exibidos 98 cartões amarelos (2.7 por jogo). Menos 31 do que no último europeu (que, no período análogo, teve média de 3.6),

3 – Quanto a cartões vermelhos, valores iguais: 2 em 2020 e em 2016.

Em termos gerais, estes dados significam que os árbitros estão a assinalar menos faltas e a mostrar menos cartões. Mérito para eles e para a atitude dos jogadores entre si e para com as equipas de arbitragem. Há mais vontade em jogar futebol e menos em travar o jogo ou discutir com o árbitro.

4 – O tempo útil foi outro fator positivo, quando comparado com a competição de 2016: cada jogo teve, em média, 58’51” em 2020, por oposição a 56’30” da prova anterior.

No que diz respeito ao VAR, o italiano deu nota alta.

Ao contrário de árbitros, árbitros assistentes e quartos árbitros (que estão em Istambul até aos ¼ de final da competição), as equipas de videoárbitros ficaram todas em Nyon, na Suíça (sede da UEFA).

Foram disponibilizadas duas salas para esse efeito, com tecnologia áudio/vídeo de ponta e todas as condições para que o auxílio, à distância, fosse de excelência. E tem sido.

Vamos a factos (fase de grupos):

1 – Em 36 jogos foram analisados 179 “incidentes”;

2 – Em 91,6% dos casos a decisão inicial foi correta;

3 – As intervenções do VAR corrigiram 12 decisões tomadas pelas equipas de arbitragem: sete diretamente e cinco após revisão das imagens por parte do árbitro;

4 – Média de uma decisão corrigida a cada 3 jogos.

No que diz respeito a foras de jogo, houve 21 “decisões apertadas”, seis das quais revistas pelo videoárbitro. No fim de contas, não houve nenhuma decisão errada.

“Com o auxílio da tecnologia, os foras de jogo deixaram de ser um problema para nós”, acrescentou Rosseti.

Por último, os pontapés de penálti: foram assinalados 14 na fase inicial do Euro 2020, por oposição a sete em 2016.

Com o surgimento da tecnologia, parece haver agora mais atenção/exatidão na avaliação de faltas defensivas nas áreas.

Nota pessoal: poderá também haver uma análise mais rígida de alguns lances, projetada pela “frieza” das imagens televisivas, que nem sempre captam a essência/dinâmica de alguns contactos. Contactos que o jogo e o futebol aceitam como legais, mas que as repetições por vezes desvirtuam.

Rosetti reiterou que o VAR não surgiu para alterar a essência do jogo, mas para complementa-la e dar-lhe mais verdade.

“Ainda há um caminho a percorrer para melhorar a qualidade das decisões, mas hoje o futebol é um jogo mais justo”, acrescentou.

O objetivo é o mesmo de sempre: intervir o menos possível e apenas em situações em que existam erros claros e óbvios cometidos em campo.

Até agora, nota alta. Que continue assim.

Fonte: Expresso