Autor

Jorge Faustino

Data: 25/09/2018

Com VAR ou sem VAR? Já não é questão

Ainda houvesse dúvidas quanto a preponderância do videoárbitro no presente e futuro do futebol, os muitos “casos” das últimas semanas, em diversas competições, vieram reforçar a ideia de que já não faz sentido existir futebol de alto nível com arbitragens sem videoárbitro.

A injusta expulsão de Cristiano Ronaldo na mais importante competição de clubes do mundo – Liga dos Campeões da UEFA – a par de outras decisões claramente erradas que marcaram a última edição desta competição vão obrigar a que na próxima época seja incontornável a introdução do videoárbitro, pelo menos, a partir da fase de grupos. A Liga dos Campeões tem de ter videoárbitro. Vai ter videoárbitro. Já não é questão.

Em Portugal, alguns dos jogos da Taça da Liga da Liga tiveram arbitragens infelizes. Não ponho em causa a qualidade dos árbitros que estiveram nos jogos que tanta polémica causaram. Uma má arbitragem não pode servir para “catalogar” um árbitro como mau ou sem perfil para a função. Todos temos maus dias e/ou maus momentos. O videoárbitro surgiu para corrigir esses momentos. Porque é que numa competição com a suposta importância da Taça da Liga não existe videoárbitro? Essa é a pergunta que se impõe. O Conselho de Arbitragem da Federação disse não haver impeditivo e que, caso a Liga quisesse, haveria videoárbitro. Liga veio dizer que se o CA da Federação quisesse poderia haver VAR. Enquanto se empurram responsabilidades sobre a não introdução do VAR na Taça da Liga, prejudicam-se clubes e descredibiliza-se uma competição. A questão parece ser mesmo “quem paga?”. A Taça da Liga tem de ter videoárbitro. E isso, não pode ser questão.

Felipe deveria ter sido expulso por anular uma clara ocasião de golo ao rasteirar um adversário. Rúben Dias deveria ter sido expulso por conduta violenta ao acertar com o cotovelo na face de um adversário. Esta é, apenas, a minha opinião sobre os dois lances mais polémicos do fim de semana. Onde entra o videoárbitro nisto? Não entra. Ambos os casos são lances que envolvem interpretação e algum grau de subjetividade na sua análise. Poderia um colega de Felipe chegar à disputa de bola caso não tivesse acontecido a rasteira? Rúben Dias colocou o cotovelo de propósito para acertar ou foi “apenas” movimento negligente? À luz do protocolo atual, onde o videoárbitro serve para mudar erros claros e não para chamar o árbitro em lances de dúvida, estas duas questões/dúvidas fazem com que os VARs ficassem “impedidos” de chamar os árbitros para rever os lances. Por enquanto é assim. Mas este espartilho, que é o atual protocolo, merece ser revisto e questionado. Isso sim, é questão.

 

Artigo publicado no jornal Record na edição de 25Set2018