Autor

Jorge Faustino

Data: 16/04/2019

Bons e maus exemplos

O Tiago Tavares é um jovem jogador, com 11 anos de idade, que foi expulso de um jogo de futebol. O Tiago portou-se mal numa partida daquelas que é suposto não contarem para nada. Onde se espera apenas que os miúdos participem para se divertirem.

O Tiago envergonhou-se pelo comportamento que teve e quis assumir o seu arrependimento. Escreveu uma carta ao árbitro a pedir desculpa e está de parabéns pela coragem que teve. Mas não é o único que merece uma palavra de destaque. Não conheço o Tiago, não conheço os treinadores e dirigentes do Samora Correia, clube onde joga, e não conheço os seus pais, mas estas pessoas terão tido, seguramente, um papel fundamental neste arrependimento e neste pedido de desculpas. É através do exemplo e da conduta moral daqueles que estão “acima” de nós, que moldamos o nosso caráter. Se o Tiago não estivesse bem rodeado, dificilmente teria tido tão nobre atitude.

Porque, melhor do que pedir desculpas é evitar os erros, não posso deixar de dar uma palavra a todos os pais e jovens atletas que nunca se viram numa situação de terem de pedir desculpas. Os bons comportamentos devem ser a regra.

Depois… existem algumas bestas, sem formação moral, ou pessoas mais ou menos equilibradas que ficam momentaneamente insanas por causa de alguma paixão clubística e que, escondidas atrás de um perfil de facebook, vêm fazer ameaças a outras pessoas que tiveram o azar de gostar de ser árbitro de futebol.

Ameaçar alguém de morte ou ameaçar fazer mal aos seus familiares são coisas muito graves. Esta semana, foi o Bruno Paixão que recebeu ameaças. Não sei o teor das mesmas, sei apenas que justificaram que fosse apresentada queixa na Polícia Judiciária. Mas todas as semanas há árbitros, do futebol profissional ao futebol amador, a receberam ameaças como as que referi. O futebol não pode ser isto. O futebol não pode servir de desculpa para isto.

A incompetência, uma má decisão ou, simplesmente, uma decisão que não agrada a determinado clube não pode justificar que agentes do futebol acicatem a opinião pública incentivando este tipo de comportamentos. Ninguém será inocente no dia em que uma tragédia acontecer.

O futebol inglês, que tanto louvamos, mudou depois de uma tragédia num estádio de futebol. Precisamos mesmo que algo de muito grave aconteça para repensar o nosso?

 

Artigo de opinião publicado no jornal Record de 16 de abril de 2019

Fonte: Record