Autor

Jorge Faustino

Data: 06/01/2026

Backout previsível

O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol comunicou que decidiu, em alinhamento com o Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, suspender a presença deste último em programas televisivos onde explicava as principais decisões de arbitragem das ligas profissionais. Podemos concordar ou discordar desta decisão, mas dificilmente a podemos considerar inesperada. É o blackout da arbitragem à imagem do blackout dos clubes no início do século.

No início da época escrevi, a propósito das medidas então anunciadas para uma comunicação mais aberta e transparente, que “cabe agora ao futebol português saber aproveitar esta onda, não a transformar em ruído, mas em confiança. Porque só com comunicação clara e responsabilidade partilhada será possível melhorar a imagem da arbitragem e, com ela, a do próprio jogo”. A verdade é que não soubemos, coletivamente, aproveitar essa boa intenção de esclarecimento.

Podemos dizer que é uma questão cultural, que a paixão clubística fala mais alto do que a razão ou talvez seja mais honesto admitir que, em muitos clubes e entre muitos adeptos, não há real interesse em ser esclarecido. Querem ouvir apenas quando os esclarecimentos lhes dão razão; quando não dão, servem para atacar e destruir.

E não tenhamos dúvidas: com ou sem intervenções públicas do Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, os erros vão continuar a existir. No fundo, temos a comunicação que merecemos. Temos a arbitragem que merecemos. Temos o futebol que merecemos.

Fonte: Record