ndo por estes dias pelo norte, a promover o meu último livro, no qual tento esclarecer tecnicamente algumas das situações mais controversas do jogo. Estamos a falar, por exemplo, da intensidade dos contactos, de entradas impetuosas, de mãos e braços na bola, de foras de jogo posicionais, perdas de tempo, critérios e afins.
Quem anda neste mundo há mais tempo do que eu (e eu sou novo nestas andanças) sabe que este tipo de iniciativas requer paciência e perseverança. É preciso caminhar com baby steps e apontar armas ao único grande objetivo, que é o de tentar passar a mensagem certa ao maior número possível de pessoas.
Porquê? Porque o futebol não é, de facto, um jogo qualquer. O futebol é majestoso. É uma atividade entusiasmante e rara, que mistura talento e fortuna, ilusão e frustração.
No futebol está tudo em jogo, a toda a hora. Mais do que em qualquer outra atividade, no futebol sucesso e fracasso andam quase sempre de mãos dadas.
Ainda assim e apesar dessa vulnerabilidade aparente, há em todo o mundo cerca de 270 milhões de pessoas diretamente envolvidas na indústria. São quase 4% da população global. Inacreditável.
Naturalmente que a ligação umbilical de tanta gente a um jogo com características tão sui generis tende a adulterar a forma como algumas coisas são percecionadas.
Não é difícil de perceber: quando estamos demasiado perto daquilo que gostamos, perdemos a perspetiva. O ângulo fecha. O coração aperta. A proximidade atraiçoa-nos a visão e tolda-nos a razão.