Autor

Jorge Faustino

Data: 22/08/2023

Altos padrões de qualidade

A intervenção do videoárbitro na validação ou anulação de um golo por fora de jogo será a mais factual, e por isso, menos discutível intervenção que a equipa de videoarbitragem tem no jogo. Essa factualidade não deixa de implicar a intervenção humana e, por isso, mantem-se sujeita ao erro. A escolha do frame e a definição dos pontos a marcar no corpo dos jogadores são os momentos críticos. Acertando estes, temos de acreditar que a tecnologia fará o resto.

Ao fim de 7 anos de VAR em Portugal foi cometido um erro na colocação dos pontos que teve claro impacto na decisão final. O ombro do Paulinho estava em jogo por 19cm mas o pé (parte do corpo mais adiantada) colocava o atacante 9cm em fora-de-jogo.

O assistente errou a decisão em campo, o AVAR não teve a melhor leitura da imagem e escolheu o ponto errado, o assistente de vídeo que coloca as linhas cumpriu as indicações sem também ele reparar na ponta da bota branca mais adiantada e, por fim, o VAR comunicou o resultado da avaliação feita pelos dos seus colegas dando indicação da validação do golo ao árbitro. Foram erros individuais de vários elementos da equipa de arbitragem que resultaram numa má decisão que não pode acontecer. Cabe agora à estrutura de arbitragem, e não apenas aos envolvidos, analisar o que correu mal e encontrar processos para evitar que tal se venha a repetir.

“Dores de crescimento” poderia ser um ângulo para olhar para todo este caso. Mas isso só quem for corporativista como eu… ou quem conseguir olhar com algum distanciamento. Todos os outros, aquela esmagadora maioria de pessoas que nunca cometeu um erro na sua atividade profissional (ironia) tem todo o direito de se sentir escandalizada com este episódio.

Foi a primeira vez por cá. Mas em Inglaterra, espantemo-nos, já aconteceu algumas vezes. Partilho tradução livre de parte do comunicado do último incidente do género: “Reconhecemos os erros que foram cometidos e, em resultado, realizámos uma reunião para efetuar alterações às nomeações. Estamos, contudo, satisfeitos com a forma como os nossos árbitros reagiram a todo este processo e confiantes que daqui retirarão aprendizagens, sempre com o objetivo de assegurar altos padrões de qualidade na arbitragem em benefício do jogo.”

Fonte: Record