Portugal sem árbitros no Mundial: «Não foi por questão de competência do Artur, Tiago ou Pinheiro…»

Portugal esteve representado por Olegário Benquerença no Mundial’2010, por Pedro Proença no Euro’2012 e no Mundial’2014, teve dois vídeo-árbitros (Artur Soares Dias e Tiago Martins) no Mundial da Rússia, em 2018, teve Soares Dias a arbitrar no Euro’2020 e João Pinheiro como VAR… Em 2022 Portugal não terá representação na arbitragem do Mundial do Qatar. João Capela lamentou esta realidade, considerando que agora é necessário que a arbitragem portuguesa “dê dois passos à frente”.

“O facto de termos sido pioneiros no VAR é importantíssimo, mas também temos de pensar que há muitos países com muitos anos já de VAR. Na minha opinião, na gestão de recursos humanos já não necessitas de muitas pessoas de outros países a compor uma equipa de arbitragem, porque já há mais experiência e mais credibilidade de que a função será assegurada. É mais difícil apontar VAR de outros países para colaborar em equipas com certos árbitros, pois nos seus países já há experiência de VAR”, começou por dizer, em declarações a Record.

“Mas no contexto europeu, os portugueses continuam a ser muito requisitados. O Tiago Martins esteve na equipa de vídeo-arbitragem na Supertaça Europeia, na Liga dos Campeões e Liga Europa quase todas as rondas existe um VAR ou AVAR português. A principal questão é a existência de poucas vagas para europeus no Mundial, mas depois há essa perspetiva de outros países se terem desenvolvido e apenas dois ou três árbitros não terão VAR dos seus países. Também tem a ver, obviamente, com a forma como correm os jogos durante a época e os países supostamente mais fracos também têm árbitros fortes”, prosseguiu.

“Na minha opinião, não é por uma questão de competência do Artur, do Tiago, do Pinheiro… Tem a ver com os outros fatores todos que identifiquei atrás que, no momento da escolha, possam ter levado a estas decisões. Mas a arbitragem é feita disto, é feita de altos e baixos. Não fomos convocados, estamos tristes obviamente, mas não é um passo atrás para a arbitragem portuguesa, isto quer dizer que temos de dar dois passos à frente: trabalhar mais, garantir mais condições para que árbitros sejam mais competentes, para que depois nos detalhes possamos ser escolhidos. É o que tem sido feito e há que continuar a trabalhar”, acrescentou João Capela.

O antigo árbitro internacional exerce, pela terceira época consecutiva, o cargo de VAR manager na Grécia e estará presente no ‘Thinking Football’, congresso que reúne diversas figuras do futebol português e não só. A cimeira realiza-se entre os dias 18 e 20 de novembro, no Super Bock Arena (Pavilhão Rosa Mota), no Porto.

Fonte: Record