Vítor Pereira: “Prefiro a pedagogia, o mérito deve ser premiado”

O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Vítor Pereira, reconheceu ontem que “há jogos que podem ter grande importância na auto-estima de um árbitro”, mas salientou que se deve preferir a pedagogia e premiar o mérito.
“Precisamos de árbitros motivados e confiantes”, sublinhou o responsável pelos árbitros portugueses, garantindo que o organismo a que preside procura seleccionar para cada jogo o árbitro “em melhores condições". "Os que estão melhor vão tendo mais oportunidades”, sublinhou, acrescentando, porém, que não há nenhum árbitro que seja posto de parte. “Estamos todos unidos”, vincou.
E quando os erros acontecem? “Cada caso é um caso, há que dar tempo para arrefecer”, acredita Vítor Pereira, realçando que os enganos de maior importância são consequência da menor preparação dos juízes. “Os aspectos sociais não podem ser esquecidos. Os árbitros são pessoas, têm família, e a breve prazo têm de voltar ao campo de jogo”, acrescentou.
As ameaças de morte a um árbitro por causa do seu trabalho são, para o presidente da Comissão de Arbitragem da LPFP, um “âmbito de excepção, que requer medidas excepcionais, como acompanhamento psicológico próximo, integrado, e medidas de vária ordem”. “A solução dos problemas da arbitragem passa pela introdução de meios tecnológicos”, concluiu Vítor Pereira.
O futebol evoluiu e a arbitragem também precisa de evoluir. Esta foi a principal conclusão do debate intitulado “Análise e Acompanhamento Psicológico de Árbitros”, que hoje decorreu na Universidade Lusófona. Jaume Cruz, professor da Universitat Autònoma de Barcelona, foi o orador.
O académico catalão destacou a profissionalização como essencial para melhorar a arbitragem desportiva. Um ponto que mereceu a concordância de Jorge Proença, director da licenciatura em Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona: “É para mim óbvio há muito tempo que a profissionalização é essencial na qualidade de qualquer actividade. É extremamente estranho o árbitro continuar por profissionalizar, condiciona o seu desempenho”, sublinhou.
Jaime Cruz apontou também a necessidade de “educar para o papel do árbitro”. “O público é muito tolerante com os erros dos jogadores, menos com os erros dos treinadores, e nada com os erros dos árbitros”, realçou, para concluir que “os media não ajudam". "Não podemos pedir que sejam pedagógicos, mas ao menos que sejam objectivos”, concluiu.

In: Público