Liga NOS: Muitas expulsão nos bancos, mas final de época foi mais tranquilo

A época futebolística 2020-21 está encerrada e uma das imagens mais fortes que ficam é francamente negativa: nunca os bancos de suplentes tiveram tanto protagonismo. O problema é que, num cenário de bancadas vazias, os elementos de apoio aos futebolistas deram nas vistas pelos piores motivos: protestos, quezílias, discussões. E cartões. Muitos cartões. Mais de 41% das expulsões nesta edição da Liga não foram de jogadores…

Treinadores, médicos, massagistas, roupeiros, há de tudo na lista de cartões vermelhos. Incrivelmente — e numa altura em que as emoções estavam ao rubro com as grandes decisões —, as últimas jornadas até foram mais tranquilas.

Apesar de a época ter terminado de forma muito pouco digna, com incidentes nos últimos instantes da final da Taça de Portugal, ganha pelo Sp. Braga ao Benfica, alguma coisa parece ter mudado. Quando o PÚBLICO divulgou os números ao cabo da 22ª jornada, ainda não se tinha registado qualquer ronda da Liga sem cartões mostrados pelos árbitros a não-jogadores. Essa regra só foi quebrada, em jornadas sucessivas, nas rondas 32 e 33, antepenúltima e penúltima da competição. Altura em que, dirá o mais elementar senso comum, seria até mais plausível que houvesse menor controlo emocional…

Mesmo assim, o balanço é tremendo. De acordo com os dados publicados no site da Liga Portugal, os árbitros mostraram ao longo da edição 2020-21 da I Liga um total de 1454 cartões amarelos a jogadores (neste total incluem-se os duplo-amarelo) e 76 cartões vermelhos. A este total juntam-se os 82 amarelos e 53 vermelhos para elementos dos bancos. Contas feitas, as acções disciplinares para não-jogadores representam 5,34% do total no caso dos amarelos e uns preocupantes 41,09% dos vermelhos.
No final da temporada, já não há equipas imunes a esta “epidemia” — o Moreirense era a única formação com uma folha limpa à 22ª jornada, mas “prevaricou” logo na ronda seguinte, com um cartão amarelo. Ainda assim, surge na cauda da tabela dos mais indisciplinados (ver quadro), a par do Tondela — nas 34 ronas da I Liga, estas equipas viram, cada uma, dois cartões amarelos e foram as únicas sem expulsões. A duvidosa honra da liderança cabe ao FC Porto, com 18 admoestações (5 vermelhos, 13 amarelos), à frente do Sporting, com 14 cartões (7+7).

No caso do FC Porto, este total é fortemente influenciado pelo mau comportamento do técnico principal, Sérgio Conceição, que lidera a indisciplina entre os treinadores principais, com três cartões vermelhos e oito amarelos. Também aqui um “duelo” no topo entre “dragões” e “leões”, com Rúben Amorim, técnico do Sporting, a somar três vermelhos e dois amarelos, mas tendo pelo meio Pepa, do Paços de Ferreira (uma expulsão e cinco cartões amarelos). Estes números tornam-se mais preocupantes quando constatamos que há nove jogadores com dois cartões vermelhos nesta edição da Liga, mas nenhum foi expulso por três vezes.

Manuel Machado, que comentou para o PÚBLICO o balanço à 22ª jor- nada, considerou na altura que “os casos pontuais são toleráveis, por o jogo ser um palco de paixões, mas como tendência é inaceitável”, explicando que se sentia à vontade para analisar o fenómeno por somar mais de 400 jogos na I Liga “sem uma única expulsão”. Na altura coordenador de futebol no Berço, o veterano treinador acabou por rumar ao Nacional. Coincidência ou não, a equipa madeirense foi a única sem qualquer acção disciplinar do árbitro para não-joga- dores depois da jornada 22.

Fonte: Público